Dica: Gerenciar Referências

A primeira etapa de qualquer pesquisa científica é a revisão da literatura. Essa revisão permite identificar qual o estado da arte do problema sobre o qual tem interesse e serve para compreender o que já foi feito na tentativa de responder a uma pergunta científica específica. Muitas vezes a própria pergunta surge após a revisão de literatura identificar que existe uma questão em aberto que ainda não foi respondida.

Feita essa motivação, o objetivo desse post é apresentar minha experiência com uma ferramenta para auxiliar no controle das referências que já leu / está lendo / pretende ler, para ajudar a identificar quais são mais relevantes etc. Esse processo também pode ser conhecido como “fichamento”. Se ainda não utiliza uma ferramenta para auxiliar a gerenciar as referências da monografia/dissertação/tese, esse post apresenta uma opção que tenho usado ultimamente.

Já utilizei outros formatos, desde apenas colocar as “fichas” em um editor de texto mesmo, ou ferramentas específicas como o JabRef. Existem muitos outros que deixo o link pois pode ser que prefira outro formato: EndNote, Mendeley, Citeulike, RefBase, RefWorks, Reference Manager.

Há algum tempo venho utilizando o Zotero e tem me ajudado muito a organizar melhor as referências. Tenho gostado bastante da possibilidade de organizar referências de vários projetos distintos compartilhados com grupos diversos.

Uma funcionalidade que acho super útil é o plugin para o navegador que permite fazer download de qualquer referência direto para a biblioteca. É possível adicionar as referências manualmente também mas com a existência desse plugin raramente preciso fazer isso. Basta clicar em um botão que a ferramenta já importa todas os dados de autores, revista, data, doi etc.

Adicionar arquivo ao Zotero.
Adicionar arquivo PDF ao Zotero. Fonte.

É possível também inserir uma referência dentro do Zotero através de um identificador:

Adicionar ao Zotero por identificador (doi, isbn,pmid). Fonte

A ferramenta possibilita ainda escrever anotações sobre cada referência, o que recomendo fortemente pois depois de um tempo não lembramos todos os pontos importantes. Existem ainda outros plugins que podem ser adicionados como, por exemplo, um que oferece uma contagem de citações e quantos suportam ou disputam cada referência (scite).

Exemplo de visualização do Zotero com uma coluna que mostra se tem anotação adicionada (parece um post-it amarelo) e colunas que mostram contagem de referências que suportam, disputam e que mencionam cada uma das referências na lista. Fonte: da autora.

A biblioteca inteira pode ser exportada em vários formatos conforme mostrado na imagem abaixo incluindo o formato bibTeX que é perfeito para quem usa o LaTeX para escrever os textos acadêmicos.

Formatos para exportação da biblioteca de referências. Fonte: da autora.

Quem usa Word e OpenOffice também tem o trabalho de citações facilitado ao usar o plugin do Zotero para esses editores. Basta usar o comando “inserir citação” que abre uma busca para a referência salva na sua base de referências do Zotero. E ele já inclui a citação no local selecionado e adiciona a referência completa no final do texto.

Ps: Se tiver interesse clique aqui para ver a lista completa de plugins do Zotero.

Ps 2: Eu sou fã do LaTeX e tenho vários posts nesse blog sobre os comandos e como usar. É só usar a busca aqui do blog ou clicar na categoria LaTeX no menu lateral.

Este post não tinha intenção de ser um tutorial mas uma fonte de informações sobre gerenciamento de referências. Caso esteja buscando um tutorial indico:

Qualquer dúvida ou sugestão deixe um comentário!

Série: Sobrevivi à pós-graduação – Acostume-se com metas e prazos

Objetivos

Uma parte importante do trabalho acadêmico é comunicá-lo. Por isso devemos estar preparados a ter sempre prazos para submeter artigos para conferências e revistas científicas e, possivelmente, à preparar relatórios para reuniões com os orientadores.

Ter objetivos claros e utilizar um calendário pode ajudar bastante a se organizar. Seja um calendário de papel, agenda, planner ou calendário virtual. Já escrevi sobre o que me ajuda nesse post.

E, muito importante: não espere que a/o orientador/a te diga tudo o que você tem que fazer. Acredite que são pessoas ocupadas com várias coisas ao mesmo tempo. Você teoricamente, precisa se preocupar “só” com o seu projeto. Tome posse do seu projeto. Pense que enquanto estiver trabalhando nele ele é o “seu” projeto. Conheça e entenda o objetivo do seu projeto e realize as atividades que te ajudem a alcançar esse objetivo. Isso realmente é bastante específico e por isso ficou meio vago aqui.


Tentativa de exemplo da minha área: se preciso ajustar parâmetros de um modelo para representar dados experimentais, já sei que preciso conhecer o tipo de modelo, quais métodos já foram usados para fazer isso, quais são mais indicados para esse tipo de modelo, após definir o método, ou métodos que irei usar, devo programá-los e executá-los. E anotar todas as configurações utilizadas e resultados obtidos de forma a permitir repetição. Você deve saber os passos que precisa executar para o seu projeto. E, conforme aparecerem as dúvidas, procure ajuda do orientador ou colegas que já trabalharam com isso. Sempre existe uma solução.


Provavelmente você foi comunicado sobre os passos esperados nas reuniões iniciais e, caso não tenha anotado, não se lembre etc. pergunte a seu/sua orientador/a quais são os passos e as expectativas de publicação do trabalho que está realizando. E, organize-se de acordo com os prazos.

Se está lendo antes da pós-graduação: prepare-se para aprender a gerenciar a si mesmo e ter que lidar frequentemente com “prazos” para submissão de artigos para conferências e revistas e reuniões.

Se está lendo durante a pós-graduação: se ainda não começou, crie uma rotina separando horários para leituras, desenvolvimento dos experimentos e escrita. Frequentemente busque se informar das melhores revistas e conferências da sua área e acompanhe os cronogramas desses eventos. Prepare relatórios para reuniões no formato de apresentações. Dessa forma quando tiver que preparar apresentações para eventos não precisará começar do zero.

Se está lendo depois: tenho certeza que já está acostumado com metas depois de ter passado por uma pós-graduação. Eu queria ter implementado algumas dessas dicas enquanto ainda era estudante. Muitas coisas aprendi depois. Se acredita que essas informações são úteis compartilhe.

Série: Sobrevivi à pós-graduação – Permita-se mudar

Esse post faz parte de uma série de textos curtos com dicas pontuais sobre pós-graduação e está relacionado ao que comentei no final do tópico anterior. Espero que seja útil!


Não se prenda nem se sinta escravo de um tema que não te interessa. Mesmo que tenha prometido a um determinado pesquisador que gostaria de trabalhar com aquele assunto. É melhor ter certeza de que continua sendo interessante para você.

Se tiver certeza de que não é possível seguir com esse tema é melhor conversar o quanto antes com seu orientador sobre o assunto. Talvez ele possa te dar sugestões de modificações dentro da mesma área que sejam mais motivadoras para você. Ou talvez seja o caso de trazer outro orientador e outra área. O quanto antes isso for discutido melhor para todos os lados. Ninguém vai sair magoado se o assunto for tratado com respeito, responsabilidade e profissionalismo. Não vai dizer ao seu orientador que eu falei que tudo bem mudar de ideia a qualquer momento! Pense bem. Tenha certeza da sua decisão e converse abertamente.

No mestrado como o tempo é curto acho mais complicado mudar de tema, mas, no doutorado como temos mais tempo durante a pesquisa pode acontecer de surgir uma tese exatamente igual à que propôs no meio da sua pesquisa. Nesse caso terá que alterar o assunto da sua defesa para que não seja exatamente igual e incluir esse trabalho que surgiu na sua pesquisa bibliográfica. Acontece.

Se está lendo antes da pós-graduação: saiba que é possível mudar e não se sinta tão pressionado a saber o tema exato com todos os detalhes antes de começar. 

“Faça o melhor que puder até saber mais e quando souber mais, faça ainda melhor” 

MAYA ANGELOU

Se está lendo durante a pós-graduação: Analisa com cuidado como se sente com relação ao dia a dia. Falta de motivação e falta de vontade de ir para o laboratório podem ser um sinal de que talvez precise alterar algo na sua pesquisa. Talvez seja só um dia estranho. Pode ter outra questão relacionada a rotina que não seja necessariamente o tema. Dê um tempo e não se precipite. Se for preciso alterar converse com seu/s orientador/es antes de pensar em simplesmente sumir! Seja profissional sempre! Não se esqueça que é ok mudar, mas não é ok não dar satisfação.

Se está lendo depois: Se acredita que faltou algum ponto importante deixe um comentário! E se achou útil, compartilhe!

Série: Sobrevivi à pós-graduação – Apaixone-se pelo tema

Arte de rua por Alessio B

Continuação do primeiro post dessa série que sugeri começar pelo tema.

Motivação é essencial. Em qualquer trabalho não somente na pós-graduação. Tenha certeza que ao escolher o projeto não se guie apenas pelo possível retorno financeiro que a área X terá sobre a Y. Lembre-se que terá que conviver com o assunto que escolher por 2  anos (mestrado) ou 4 anos (doutorado)! Esses prazos consideram a duração dos programas brasileiros. Fora do país os conceitos de pós-graduação são um pouco diferentes.

Quando entrei no mestrado não tinha ideia de um problema específico e contei com a sorte de ser convidada para um projeto quando estava encerrando as disciplinas e um pouco perdida sem saber para que lado ir. No fundo eu sabia que queria aplicar meus conhecimentos de computação à área de saúde, mas ainda não tinha ideia de como seria possível.

O projeto que fiz parte durante o mestrado era aplicado à engenharia civil. Aprendi uma técnica de homogeneização que permitia calcular as propriedades de materiais compósitos a partir das propriedades de cada parte componente utilizando matemática para fazer essa média aproximada. Como não sabia exatamente o que fazer na época, esse projeto foi perfeito. Aprendi muito com meus orientadores: uma engenheira civil e um cientista de computação. Tive trabalhos publicados a partir desse trabalho que me ajudaram a entrar no doutorado e conseguir realizar uma parte do doutorado no exterior. Eu não me considerava exatamente apaixonada pela aplicação em si, mas a técnica que aprendi poderia ser aplicada a outras áreas que não necessariamente a engenharia civil. 

E, na verdade aquele conhecimento foi essencial para realizar um segundo pós-doutorado no exterior, dessa vez na Itália. Dessa vez tive oportunidade de trabalhar no desenvolvimento de uma ferramenta para orquestrar a simulação de modelos multiescala para diagnóstico e prognóstico de tumores sólidos em que foi necessário desenvolver funções de homogeneização.

Quando decidi me inscrever para o doutorado tive oportunidade de mudar a área de aplicação e estudar métodos e técnicas novas o que realmente me motiva bastante. Sempre gostei de aprender coisas novas. No doutorado pesquisei modelos para representar infecções e a resposta do organismo utilizando equações diferenciais. Desenvolvi uma técnica de acoplamento de modelos e pude trabalhar com um modelo de infecção em um grande laboratório de pesquisa no exterior.

Se está lendo antes da pós-graduação: Lembre-se de definir um projeto que te instigue e te motive a buscar uma resposta. Siga um pouco o que sua intuição te diz.

Se está lendo durante a pós-graduação: No início é possível trocar o tema se for algo que esteja mais desgastante do que interessante. Pergunte-se se realmente gosta do assunto que está estudando ou se qualquer coisa parece mais importante do que o que tem que fazer agora. Lembre-se também que no dia a dia todo trabalho tem as partes chatas e, é importante não perder o foco no objetivo final. Lembre-se porque está fazendo isso.

Se está lendo depois: Olhe para trás e concorde comigo que é mais fácil quando escolhe um tema que realmente te motiva a querer saber mais. Se tiver uma opinião diferente deixe um comentário. E se acredita que esse texto pode ser útil a quem está começando, compartilhe!

Série: Sobrevivi à pós-graduação – Comece pelo tema

Vou fazer uma pequena introdução a esse post. Há alguns anos escrevi uma série de textos curtos no formato de dicas rápidas para quem pensa em entrar ou já entrou numa pós-graduação. Esse projeto ficou completamente esquecido e só lembrei porque encontrei um arquivo estranho enquanto fazia um backup do notebook. Lendo novamente percebi que as coisas que havia escrito continuavam fazendo sentido e resolvi postar aqui no blog como uma série de posts. São textos curtos sobre coisas que deram certo para mim ou que eu sabendo o que sei hoje teria feito melhor.


Quando eu entrei no mestrado, não era exigido um projeto para começar. Apenas ao final do terceiro trimestre depois de cursar todas as disciplinas que eram obrigatórias que deveríamos ter um projeto para a dissertação. Mas, independentemente da necessidade de ter o projeto no início ou não, acredito que seja interessante ter uma ideia do trabalho que será realizado para ter mais discernimento na escolha das disciplinas que irá cursar. Algumas disciplinas serão obrigatórias e comuns a todos independente do tema de pesquisa, mas, outras disciplinas que investirá o seu tempo devem preferencialmente ser relacionadas ao seu tema.

O objetivo é cursar disciplinas que te proporcionarão a melhor base possível para a resolução do problema proposto. Mesmo que não tenha um projeto formalizado, a dica é: tenha uma ideia clara do tema que tem interesse e converse com professores dessa área no seu programa antes de começar, se possível! Mesmo que não siga à risca um determinado projeto, sabendo o tema desde o início terá ao menos uma base para seguir e fazer ajustes conforme necessário.

Ah, mas eu não tenho ideia de tema… Será? No fundo se está pensando em cursar uma pós-graduação você tem uma ideia do que gostaria de fazer. Mas se realmente não tem ideia nenhuma, não se preocupe. O importante é conversar com possíveis orientadores. Eles terão capacidade de te dizer se a ideia vale a pena ser investigada. Ou possivelmente te apresentar ideias de projeto que eles estão trabalhando que tenham a ver com seu perfil.

Eu tinha uma ideia muito vaga do que gostaria de fazer e não conhecia os professores da instituição (e além disso eu era extremamente tímida). Tive sorte de uma professora me propor trabalhar em um projeto de pesquisa enquanto eu ainda cursava as disciplinas. Nesse projeto acabei saindo da minha ideia inicial mas foi ótimo e aprendi demais! E tive contato com outro professor que viria a ser meu orientador de doutorado em outro tema que tinha mais a ver com minha ideia inicial. Mas isso é assunto pra outro post.

Se está lendo antes da pós-graduação: aproveite o tempo que tiver disponível para pensar no seu tema/projeto. Converse com possível/eis orientador/es e trace pelo menos uma linha geral e quais disciplinas são realmente úteis para a solução do problema proposto.

Se está lendo durante a pós-graduação: Espero que já tenha orientador/es e projeto definido, senão procure o quanto antes possível/eis orientador/es e converse com eles a respeito. E converse também com os colegas sobre o assunto. Eles já tem tema definido? Como fizeram?

Se está lendo depois: Faria uma recomendação diferente? Deixe um comentário! Se acredita que essa dica é útil, envie para alguém que está começando 😉


Obs: eu tinha escrito os textos pensando em pós-graduação stricto sensu. Mas para quem está fazendo ou pensa em fazer uma especialização lato sensu a dica muda pouco. O curso de especialização geralmente já possui todos os módulos pré-definidos e, portanto a ideia de escolher disciplinas de acordo com o tema não se aplica. No entanto, ter uma ideia de tema desde o início continua sendo interessante para saber quais professores pode procurar para orientarem a monografia.

Palestra sobre Maratonas de Programação

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Muito honrada com o convite para apresentar uma palestra motivacional para os alunos do IFMG em 28/09/2018. 😊

Clique aqui para acessar o material utilizado na apresentação.

Para mais informações sobre a Maratona de Programação da SBC clique aqui.

Muito obrigada! E até a próxima!

Doutorado Sanduíche nos Estados Unidos (continuação)

Escrevi esse post em 2015 e só estou postando em 2017… achei divertido ler comentar o próprio texto depois de um tempo. Todos os comentários que fiz antes de postar estão destacados como esse. O que não está destacado é o que escrevi lá em 2015…

Em um post anterior citei algumas coisas que aprendi com a experiência do doutorado sanduíche, mais especificamente 7 coisas que aprendi (Link para o post). Gostaria de compartilhar também um pouquinho sobre minha impressão do local que visitei mais especificamente na região sudoeste dos Estados Unidos e o que aprendi por lá.

3 itens relacionados ao local que morei que gostaria de compartilhar

1 – Tomar café no copo grande

O café nos Estados Unidos de forma geral não é muito agradável comparado aos cafés que estamos acostumados no Brasil (minha opinião!). No entanto, finalmente entendi porque eles tomam esse café tão ruim num copo tão grande e posso resumir em: açúcar e creme!

De forma geral não conheci ninguém que tome café americano puro. Mas, sempre cheio de creme (half and half principalmente) e açúcar! E aprendi a tomar o tal mocha latte ou café mocha (depende do lugar): café, calda de chocolate e leite vaporizado. Doce até! Mantém acordado até! Resumindo, vou sentir falta disso na minha cidade no Brasil, pelo menos a saúde agradece a falta desse açúcar todo num copo só! (Mas a calda de chocolate veio na mala sem querer querendo…)

Obs: Essa calda já acabou há muito tempo…

Obs 2: Achei muito pretensioso eu ter escrito que não conheci ninguém que tome café puro… como se eu tivesse conhecido uma amostra suficiente de pessoas. Relevem. ¯ \ _ (ツ) _ / ¯

2 – Inverno fora da zona tropical

Como tive oportunidade de morar por 9 meses nos EUA, presenciei todas as estações do ano e a beleza de cada uma delas.

Mudança de estações
Mudança de estações por Bárbara Quintela

A primavera é super florida, as pessoas plantam flores pra colocar na porta de entrada de casa e, as plantas dos jardins que pareciam que tinham morrido no inverno começam a voltar a vida e a florir.

No verão faz muito calor tanto quanto no Brasil (ou mais!) e fica tudo muito verde! As pessoas ficam na rua até mais tarde já que os dias são mais longos.

O outono já é minha estação do ano preferida por aqui, a diferença é que nos EUA começa a estação dos feriados também no outono, com o Halloween e abóboras pra todo lado! e tudo fica amarelo, laranja e marrom…de um jeito lindo!

As crianças realmente pedem doces no Halloween por lá. Sim, me vesti de gato de Cheshire e fiz um sorrisão de cartolina. Só uma criança adivinhou quem eu era. Óbvio que dei mais doces pra essa criança… hahahaha!

Com o frio intenso e os dias mais curtos, as pessoas ficam meio desanimadas acho que por isso os feriados são tão celebrados lá. Mas a verdade é que o cenário todo coberto de neve é lindo!

Eu achava lindo por que era meu primeiro inverno de verdade. Os americanos só viravam o olho e diziam “First winter”… 🙄

Obs: Clique na imagem e dê um zoom na árvore verde. Depois me conta…

Realmente curti muito todas as estações. Como não temos tanta definição, pelo menos na região que moro no Brasil (Sudeste) me achava dentro de um filme enquanto morei no NM.

3 – Cultura do Novo México

Durante o doutorado sanduíche fiquei alocada em um laboratório de pesquisa no estado do Novo México, um estado não muito conhecido nem pelos próprios americanos muito menos pelo resto do mundo. Corta pra Barbara tendo que explicar pra família/amigos que não estava indo para o México, país e sim Novo México, estado americano.

Até hoje tenho que explicar que nunca fui para o México… espero conhecer um dia!

Deixei esse tópico para o final para poder contar um pouco do que vou levar desse estado incrível. Acho que vale um post só pra ele!

Resumindo o que aprendi sobre esse estado incrível: para começar, a frase oficial do estado é “terra do encantamento” (Land of enchantment) e posso garantir que não é à toa!

white sands
White Sands por Bárbara Quintela

Cânion do Rio Grande e Vilarejo de Taos por Bárbara Quintela

No mesmo estado existe: montanhas com estação de esqui, deserto de areia branca (gypsum), cânions, cavernas impressionantes, museu UFO (Alguém mais assistia Roswell?), Breaking Bad se passa em Albuquerque (NM), vulcão inativo, laboratório do governo que um dia foi secreto e hoje é um dos maiores centros de pesquisa do mundo em diversas áreas, faz divisa com mais três estados (Arizona, Colorado e Texas) tem um monumento “four corners” devido a essa fronteira entre 4 estados, sol praticamente o ano todo,  cultura hispânica muito rica, cultura nativa americana muito presente, as casas de adobe e…

GREEN CHILE (pimenta verde)!

Sério! Green chile do Novo México é algo único e especial desse estado! Todo mundo que experimenta vicia nessa iguaria! Vou sentir falta disso tudo! Principalmente do green chile & cheese burguer! Pizza de pepperoni com Green Chile! Mac’n’cheese com Green Chile…

Ps: Esse post estava escrito há praticamente 2 anos e não sei porque não postei na época! Pensando bem, os últimos 2 anos foram de muitas mudanças para mim e o blog estava completamente de lado, então acho que eu sei sim porque não postei…

E além disso, quem lê posts de blog hoje em dia anyway...

De qualquer forma fica o registro pra quando eu quiser lembrar novamente dessas experiências 🙂

Ps 2: Eu tive oportunidade de voltar ao Novo México esse ano para uma homenagem ao meu orientador de lá. Foi super rápido mas fiz questão de ir. Consegui encontrar alguns amigos que fiz por lá também além de participar de um congresso com os melhores cientistas da minha área. Espero voltar lá sempre que puder!

Para saber mais sobre o Novo México:

Melhor referência de turismo!

Pesquisa Google sobre montanhas do Novo Mexico

El camino real de tierra adentro – Facebook

White Sands National Monument – Facebook

Carlsbad Caverns National ParkFacebook

International UFO Museum RoswellFacebook

Espero que tenham curtido ler sobre um pouco da experiência que tive no Novo México, EUA.

7 Coisas que Aprendi com o Doutorado Sanduíche nos Estados Unidos

Já comentei aqui quando comecei o doutorado sanduíche nos EUA e expliquei como surgiu a oportunidade e o que precisei fazer antes de embarcar. Vale a pena ler se está pensando em passar pela mesma experiência!

Gostaria de deixar registrado também algumas coisas que aprendi com essa experiência que recomendo a todos que tiverem oportunidade! Espero que possa ser um incentivo para quem está pensando em começar e também um momento de boas lembranças para quem passou por algo semelhante!

7 coisas que aprendi com o doutorado sanduíche:

1 – A melhor forma de entender algo é explicando pra alguém

Desde que cheguei ao laboratório assisti a diversas palestras, pelo menos uma por semana. Por lá os pesquisadores e estudantes são incentivados a apresentar seu trabalho com certa frequência. Em todas as palestras percebi a intensa interação entre o grupo e como surgiam novas ideias e críticas importantes ao trabalho.

Todas as vezes em que eu tive que apresentar meu trabalho (3 vezes em 9 meses) eu percebi o quanto ter que falar sobre meu problema e como estou resolvendo me ajudou a entender melhor o que eu estava fazendo e onde poderia chegar.

2 – Pesquisadores conhecidos podem ser mais acessíveis do que parece

Uma das coisas que me impressionou quando cheguei foi a facilidade que encontrei pra conversar com meu mentor. Ele estava sempre com a porta da sala aberta.

Durante minha estadia, o grupo recebeu uma série de pesquisadores visitantes de várias partes do mundo com quem possuem algum tipo de colaboração. Todos apresentaram seus trabalhos e estavam disponíveis para conversar e ajudar.

3 – Colaboração é a palavra-chave

Semelhante ao item anterior percebi que manter uma rede de colaboração é essencial no universo de pesquisa. Acredito que seja verdade para todas as áreas. E entendi que principalmente para alguém que espera continuar pesquisando numa área interdisciplinar é preciso estender a rede de contatos e colaborações.

Várias oportunidades de pesquisa e publicações, tão valorizados na área acadêmica, surgem de colaborações com pesquisadores e institutos diversos. Cada pessoa/grupo tem algo diferente a oferecer e a colaboração torna os trabalhos mais ricos ao permitir diversas formas de se resolver um determinado problema.

4 – Não ter medo de pedir ajuda

Logo que cheguei não tive muito tempo para entender o problema que estaria trabalhando e já fui logo tendo que começar a resolver. Após um mês ainda não tinha nada de concreto e meu mentor lá fora começou a se preocupar. Claro que bateu logo uma insegurança quando comecei a me deparar com possíveis erros de implementação. Mais tarde descobri que não estava cometendo nenhum erro mas havia um problema na definição do modelo que estávamos desenvolvendo.

Bom, só foi possível descobrir qual era o verdadeiro problema quando pedimos ajuda. Um dos pesquisadores visitantes era especialista em implementação de soluções de problemas do tipo que eu precisava resolver e me ajudou imensamente! Pudemos fazer os ajustes necessários para corrigir o real problema. Pedir ajuda pode ser a solução!

5 – Trabalhar é importante e se divertir também

Quando entrei no doutorado resolvi que continuaria fazendo sempre o melhor que pudesse mas, com a condição de ter tempo pros meus hobbies também! E quando comecei o sanduíche constatei que fora do Brasil é mais do que normal e esperado que se tenha tempo livre! As pessoas estão sempre conversando sobre seus hobbies e como foi a caminhada ou a viagem ou o show ou qualquer coisa que tenham feito à noite ou no fim de semana.

Durante o expediente todos são super focados e trabalham bastante buscando sempre a melhor solução para os problemas. Mas deixam o trabalho no local de trabalho! Claro que época de deadline é igual em todo lugar…

6 – Ambiente de trabalho pode fazer diferença

Tive a oportunidade de ter uma mesa em uma sala compartilhada que era meu local preferido no lab por ser em um centro de estudos que agrega estudantes e profissionais de áreas diversas com palestras e eventos frequentes.  Durante o verão principalmente quando o laboratório recebe estudantes de toda parte do mundo e pude fazer novas amizades e possíveis futuras colaborações.

Tive contato com pessoas motivadas que realmente amam o que fazem o que é uma grande inspiração!

Devemos buscar sempre essa motivação e ser essa pessoa que contagia os outros! Momento #FicaADica #SejaAMudançaQueQuerVerNoMundo do texto…

7 – Ter metas claras

Isso vale pra qualquer coisa na vida! É essencial saber onde quer chegar e o que quer alcançar.

No caso do doutorado sanduíche ter metas me ajudou bastante a lidar com a distância da família e dos amigos. Só precisava focar no próximo prazo e seguir em frente.

Quando percebi a próxima meta já era voltar pra casa e defender a tese! Como passou rápido!!!

Extra:

Estando fora pude valorizar as boas práticas do meu programa de pós-graduação no Brazil! Mesmo estando longe dos maiores centros de pesquisa mundiais, o programa sempre investe em colaboração com pesquisadores de outros programas no Brasil e no exterior. Se preocupam em oferecer todos os recursos que sejam necessários às pesquisas realizadas para que os alunos em formação tenham as melhores oportunidades. Como ex-aluna só tenho a agradecer!

Concorda com os pontos? Deixe um comentário! Vou adorar ler sobre outras experiências também!

Espero que esse post tenha sido útil!

Muito obrigada!

Dica Rápida: Incluir ou Remover Páginas de Arquivo PDF

Mais uma dica da série só lembro de postar quando preciso de novo!

Quem já teve que adicionar a folha de assinaturas no arquivo da monografia/dissertação/tese levanta a mão!!! Ou juntar ou separar arquivos PDF por qualquer motivo que seja!

Existem ferramentas que auxiliam esse processo de forma rápida e simples. A que geralmente recorro é o pdftk. Eu uso no Linux e vou colocar um exemplo usando linha de comando que resolve rapidamente o que preciso. Para quem utiliza windows aqui está o link para o instalador.

Para utilizar o pdftk faça download e instale. Para o Linux Ubuntu:

sudo apt-get install pdftk

Feito isso, basta mudar para a pasta onde estão os arquivos e utilizar os comandos do pdftk que precisar. Para o exemplo da folha de assinaturas em que precisamos inserir um arquivo de uma página com a folha de assinaturas chamado “folha.pdf” no arquivo com a tese “tese.pdf” supondo que queira inserir entre as páginas 3 e 4 da tese que contém 100 páginas no total, podemos utilizar:

pdftk A=tese.pdf B=folha.pdf cat A1-3 B1 A4-100 output arquivo_final.pdf

Esse comando monta um arquivo chamado “arquivo_final.pdf” que contem as duas primeiras páginas da tese + a folha de assinaturas + as páginas da tese a partir da quarta até o final. Modifique conforme a necessidade.

Existem outras formas interessantes de manipular arquivos com essa ferramenta. Se houver interesse posso colocar outros exemplos.

Espero que este post tenha sido útil.

Muito obrigada!

Referências:

Página do pdftk (em inglês)

Blog do Edivaldo

Importar Dados a Partir de Gráficos

Recentemente passei por uma situação que gostaria de utilizar dados de um artigo científico para alimentar meu modelo e comparar os resultados com o que foi publicado. No entanto, os dados foram apresentados apenas através de figuras e gráficos e não tive acesso aos valores exatos. Existem gráficos que até permitem uma aproximação, mas claro que o que eu precisava não conseguia inferir apenas olhando os eixos e deslizando uma folha de papel por cima, eu tentei…

Bom, claro que essa não é uma questão recente e me senti meio sem graça de não conhecer previamente ferramentas que extraem pontos de gráficos antes. Caso também não conheça e esteja passando pela mesma situação, segue uma dica de uma ferramenta grátis para ser utilizada no navegador mesmo, para identificar/extrair valores de alguma variável sob estudo a partir de gráficos.

WebPlotDigitizer é uma ferramenta fácil de começar a usar já que não precisa de instalação. Basta abrir essa página no navegador  e clicar no botão verde escrito “Launch App!”

O aplicativo inicia com uma figura de exemplo, mas você pode fazer upload da figura que precisar pelo menu superior “File/Load Image”.

O primeiro passo é identificar os eixos do gráfico clicando em em “Axes/Calibrate Axes” no menu superior e definir o tipo de gráfico. Para gráficos de duas dimensões, será exibida a seguinte janela explicando que deve clicar em quatro pontos conhecidos dos eixos, sendo dois no eixo X e dois no eixo Y, formando dois pares de pontos na ordem mostrada na figura:

webplotdigitizer1Depois de definir os eixos, os dados podem ser extraídos de várias formas dependendo to tipo de gráfico através do menu que aparece na lateral direita da tela.

Fonte: WebPlotDigitizer

É possível alternar entre o modo automático, em que é possível definir uma máscara e pintar a parte do gráfico que deseja extrair os pontos, e o manual, em que pode clicar nos pontos que deseja no gráfico e pegar um de cada vez.

Depois de definir todos os pontos basta clicar em “View Data” no canto inferior direito que abrirá uma janela com os pontos identificados, que podem ser salvos em um arquivo .csv, plotados ou copiados para utilizar da forma que quiser.

Sei que foi um tutorial bem superficial e não explorei todas as possibilidades da ferramenta mas a ideia era apresentar uma opção para quem não conhecia nenhuma ferramenta desse tipo. Quaisquer dúvidas ou sugestões por favor deixem nos comentários!

Espero que a dica tenha sido útil!

Muito obrigada!

Dica: Modo de Segurança do Windows 8 em Notebooks Dell Inspiron

Nesse link tem um tutorial da Dell sobre como reiniciar seu computador a partir do Windows para acessar o menu que permite entrar no modo de segurança entre outras coisas.

Mas se teve algum problema, por exemplo, seu computador hibernou e agora o Windows não inicia de jeito nenhum e só mostra uma tela preta, outra forma de entrar no modo de segurança é pressionando a tecla F8 antes de carregar o Sistema Operacional.

Se tem duas opções de SO selecione o windows no menu, pressione enter e clique desesperadamente em F8. Já deve saber isso mas, se seu computador é um laptop Dell Inspiron (vou ficar devendo mais informações sobre outros modelos, mas pode deixar um comentário que respondo), deve pressionar:

SHIFT + F9 !!! Ao invés de shift+F8 como diz na página da Dell…

Espero que tenha ajudado!

 

Dica: Aplicativos que Reconhecem Equações Manuscritas

 

Segue uma dica rápida para quem usa iPad/iPhone e gostaria de escrever equações à mão livre e convertê-las para os formatos: .jpg, LaTeX ou MathML. Essa dica é util principalmente para quem precisa utilizar equações nos formatos acima em um aplicativo no iOS, por exemplo, enquanto estiver montando uma apresentação com equações no Keynote.

MyScript MathPad
MyScript MathPad

 

Isso é possível utilizando o aplicativo MyScript MathPad (iTunes). Ao escrever uma equação à mão livre é possível salvar, gratuitamente, como uma imagem .jpg que pode ser utilizada em qualquer outro aplicativo. O aplicativo apresenta um tutorial bem simples assim que abre e possui vários símbolos reconhecíveis! Muitos mesmo!

Seguem algumas capturas de tela:

MyScript MathPad
MyScript MathPad no iPad

MyScript MathPad
MyScript MathPad no iPhone

Outras funcionalidades bastante interessantes a partir da versão paga são:

▫️ copiar a equação para ser calculada com o aplicativo WolframAlpha;
▫️ exportar para o formato LaTeX (texto a ser importado por outra ferramenta que compile LaTeX);
▫️ exportar no formato MathML.

MyScript Calculator Logo

 

O mesmo desenvolvedor (Vision Objects) ainda oferece uma calculadora que reconhece as expressões digitadas à mão livre e efetua os cálculos 🙂 que é a MyScript Calculator. Essa calculadora está disponível em várias plataformas: iTunes, Google Play, Samsumg Apps e Amazon Apps 

Segue um exemplo de reconhecimento de uma expressão escrita e apresentação do resultado no iPhone:

MyScript Calculator no iPhone

Achei muito interessante esses aplicativos e quis compartilhar essa dica! Comentários e sugestões são sempre bem vindos!

Até mais!