Doutorado Sanduíche – Estados Unidos

Consegui!

Seguindo a linha dos posts relacionados a pós-graduação, gostaria de relatar um pouco da minha experiência até o momento (Julho de 2014) com o doutorado sanduíche. Desde o início da pós-graduação – ainda no mestrado – já buscava a possibilidade de passar alguns meses em uma instituição de pesquisa fora do país. Por algum tempo cheguei a pensar que não seria possível, que seria muito difícil, quase impossível encontrar alguma instituição disposta a me receber por um tempo. No entanto, depois da qualificação ficou ainda mais claro para mim o quanto essa experiência acrescentaria e seria praticamente essencial para a validação do meu trabalho. Retomei a busca por uma colaboração com força total!

De forma geral, o doutorado sanduíche surge a partir de contatos do(s) orientador(es) e no meu caso, os contatos não eram da mesma área que estou pesquisando então precisávamos de novos contatos! 🙂 O que dificultou bastante…

Mandamos e-mail para os quatro cantos do mundo e após alguns retornos que não avançaram, quando menos esperávamos, um casal de pesquisadores americanos em visita ao nosso programa de pós-graduação nos apresentou uma possibilidade. Um aluno deles tinha passado alguns meses em um laboratório com um pesquisador influente na área (modelagem computacional de doenças infecciosas), eles fizeram o contato e pronto! Deu-se início a etapa de preparação de documentos para solicitar a bolsa no exterior (Passo a passo do programa de doutorado sanduíche da CAPES).

Passo a passo doutorado sanduíche
Esquema ilustrativo do passo a passo para solicitar bolsa de doutorado sanduíche (CAPES PDSE).
Mas, vai dar tempo?

Como já estava no último ano do doutorado, não poderia passar o ano todo no exterior pois ainda é preciso voltar antes da defesa… Mas determinei que passaria o maior tempo possível, no caso 9 meses para poder voltar para defender a tese dentro do prazo de quatro anos, já que segundo as regras da CAPES quem recebe a bolsa no exterior não pode prorrogar a defesa. Quem está lendo e fez as contas imagina que tive pouco tempo para ter a aprovação e embarcar. Graças a Deus e muito esforço pessoal para manter os prazos, consegui resolver tudo em dois meses. Mas não indico! Foi muito estressante e até o último minuto duvidei que conseguiria! Mas, se tem uma possibilidade semelhante e está se perguntando se vai dar tempo, não hesite! Faça as contas do tempo que demora a aprovação na sua instituição e o tempo para a instituição no exterior te encaminhar o formulário deles (que vai ter que guardar com a sua vida até voltar! E é o único documento que precisa mesmo durante a entrevista para o visto*), etc. Paralelize o máximo de atividades que puder!

Chegada no exterior

A CAPES modificou esse ano (2014) o formato de pagamento das bolsas no exterior e, só fiquei sabendo depois de embarcar. Não, não tinha nada na página deles, eu li todas as páginas e portarias possíveis! Quando saí do país eles tinham depositado a bolsa e os auxílios na minha conta no Brasil. A informação que tinha é que quando chegasse no destino, deveria abrir uma conta para receber as próximas bolsas. Quando cheguei, enviei todos os comprovantes de que tinha chegado e recebi uma mensagem dizendo que a CAPES me enviaria um cartão tipo pré-pago e depositaria nele as próximas bolsas. Fiquei tensa porque seria enviado pro meu endereço no Brasil e minha família teria que encaminhar pro meu novo endereço no exterior. Quando o cartão chegou finalmente, achei muito melhor do que ter que abrir conta! Funciona perfeitamente! Ponto pra CAPES! 🙂

Nessa correria toda para viajar consegui achar uma casa que gostei, perto do laboratório, fácil de pegar ônibus. Tenho ido e/ou voltado a pé quase todos os dias. A saúde agradece já que fast-food é uma refeição bem comum por aqui! rs Recomendo que use ferramentas como o Google Street View sempre que possível para dar uma olhada na vizinhança se for para um laboratório ou para uma Universidade que não ofereça alojamento. Eu busquei anúncios na página do laboratório e indico que busque esse tipo de informação nos serviços para estudante do local que está indo. É mais confiável mas sempre tem o craigslist

Longe de ser férias…

Pra quem pensa que doutorado sanduíche é férias está muuuuito enganado! Trabalho tanto ou mais do que se estivesse na minha instituição. Afinal de contas tenho uma tese pra defender! Não se esqueçam disso pois eu não esqueço. Alguém mais sonha com a tese? Você vai começar a sonhar em outro idioma também, se prepare… Aliás, não tive problemas com o idioma até agora e fui elogiada várias vezes! Ponto pra Grifinória mim!

[Dica para quem ainda está planejando e tem tempo antes de embarcar: estude o idioma falado no país para o qual quer ir! Não tem mistério! Faça as benditas redações e leia livros no outro idioma para ganhar vocabulário! (Leia em português também ler é sempre bom). Mas não, 50 tons não conta, tá? 😉 Para quem é de Juiz de Fora-MG e quer estudar inglês ou espanhol indico sempre o curso Bridge! Professores excelentes e método super completo! Não é merchan e não estou ganhando nada com isso, só acredito demais no trabalho deles e foi lá que estudei e se precisar volto e indico pra todos! Tem filial em outras cidades também (Cataguases – MG, Três Rios e Paraíba do Sul – RJ).]

Bom, estou super satisfeita com o trabalho até o momento! O primeiro mês foi mais lento acho que demorei a ter algum resultado mas contei com ajuda de colegas do grupo de pesquisa e outros pesquisadores visitantes dispostos a colaborar que tornaram o trabalho mais produtivo. Acredito que esse contato com outras pessoas é uma grande vantagem desse tipo de experiência. Dentro de um grupo tendemos a resolver as coisas de uma mesma forma e essa troca de experiência com outros grupos é bastante enriquecedora. Em breve vou compartilhar na página sobre minha pesquisa o que tenho feito durante o sanduíche também.

Bom, não vou me estender muito nesse post e, acredito que resumi beeeeem superficialmente o que está sendo essa experiência até o momento. Se tiver alguma pergunta ou caso queira acrescentar algo por favor deixe comentários abaixo!!! Prometo responder o mais rápido possível! 😀

Ps: Antes de embarcar esses blogs me ajudaram muito:

Escreva Lola Escreva
Fabio Augusto Faria
Welcome to Aggieland

Espero que eu tenha ajudado também!

* Estou falando do visto J-1 para os Estados Unidos. Vale verificar os requisitos para outros países pode ser bem mais fácil dependendo do lugar.

Qualificação de doutorado

Prestes a defender a proposta da tese de doutorado, etapa chamada de qualificação, percebi que existem poucas referências que explicam e sintetizam realmente o que se espera do aluno nesse momento.

Cada programa de doutorado, alguns de mestrado também pedem a qualificação, adota seu formato e disponibiliza essas informações mas, surgem questões como: o que não podemos deixar de falar na apresentação? e o que podemos? tem que apresentar algum resultado prévio? como apresento a pergunta científica? a hipótese? etc.

Buscando responder essas perguntas, encontrei na página do professor Renato Cardoso algumas questões que me ajudaram bastante. Na verdade ele não dá respostas, mas apresenta as perguntas certas. Nesse ponto da vida nós já temos as respostas a essas perguntas e é bom estarmos preparados para o momento da apresentação. Se achar que não tem uma dessas respostas recomendo conversar com o orientador para esclarecer qualquer ponto que não esteja claro.

Acredito que respondendo à essas perguntas na apresentação, a banca poderá realizar as contribuições ao trabalho de forma mais objetiva. Bom, após a minha apresentação deixarei mais dicas aqui.

Transcrevo abaixo o texto original, com as perguntas a serem respondidas, sem modificações:


As questões-chave:

Ao defender sua qualificação de doutorado, você deve ser capaz de responder às seguintes perguntas:

Caracterização do problema

  • Qual é o problema?
  • Por que este problema é relevante?
  • Qual é a relação com outros problemas?

Caracterização da abordagem/solução proposta

  • Qual é a abordagem/solução proposta para resolver o problema?
  • Vantagens desta abordagem sobre outras que resolvem o mesmo problema ou um problema similar.
  • Para quais aplicações a abordagem é adequada? Até que ponto a solução poderá ser generalizada?

Validação da abordagem/solução

  • Como você pretende validar a abordagem/solução proposta?
  • Qual é o grau de certeza/precisão da validação?
  • Qual será a metodologia a ser adotada para a validação?

Plano de Trabalho

  • Qual é o plano de trabalho? Quais são as principais etapas?
  • Quais são os resultados parciais que você pretende obter e quando?
  • Quais ferramentas você precisa para poder desenvolver o trabalho?

A Essência

  • Tente resumir em um parágrafo (ou uma transparência) por que este trabalho vale a pena ser realizado e qual é o principal benefício que o mesmo trará.

Só para manter o bom humor, por favor, na hora da apresentação não faça isso por mais que dê vontade!

Interpretative dance!
Esta manhã eu resolvi jogar fora a versão escrita e comunicar o resumo do meu trabalho através de dança interpretativa.

 

Mais informações:

Página do Professor Renato Cardoso  http://www.cpdee.ufmg.br/~renato/questoeschave.htm (copiei as questões-chave na íntegra!)

Café Docente: http://cafedocente.blogspot.com.br/2011/07/qualificacao-do-doutorado.html