Doutorado Sanduíche nos Estados Unidos (continuação)

Escrevi esse post em 2015 e só estou postando em 2017… achei divertido ler comentar o próprio texto depois de um tempo. Todos os comentários que fiz antes de postar estão destacados como esse. O que não está destacado é o que escrevi lá em 2015…

Em um post anterior citei algumas coisas que aprendi com a experiência do doutorado sanduíche, mais especificamente 7 coisas que aprendi (Link para o post). Gostaria de compartilhar também um pouquinho sobre minha impressão do local que visitei mais especificamente na região sudoeste dos Estados Unidos e o que aprendi por lá.

3 itens relacionados ao local que morei que gostaria de compartilhar

1 – Tomar café no copo grande

O café nos Estados Unidos de forma geral não é muito agradável comparado aos cafés que estamos acostumados no Brasil (minha opinião!). No entanto, finalmente entendi porque eles tomam esse café tão ruim num copo tão grande e posso resumir em: açúcar e creme!

De forma geral não conheci ninguém que tome café americano puro. Mas, sempre cheio de creme (half and half principalmente) e açúcar! E aprendi a tomar o tal mocha latte ou café mocha (depende do lugar): café, calda de chocolate e leite vaporizado. Doce até! Mantém acordado até! Resumindo, vou sentir falta disso na minha cidade no Brasil, pelo menos a saúde agradece a falta desse açúcar todo num copo só! (Mas a calda de chocolate veio na mala sem querer querendo…)

Obs: Essa calda já acabou há muito tempo…

Obs 2: Achei muito pretensioso eu ter escrito que não conheci ninguém que tome café puro… como se eu tivesse conhecido uma amostra suficiente de pessoas. Relevem. ¯ \ _ (ツ) _ / ¯

2 – Inverno fora da zona tropical

Como tive oportunidade de morar por 9 meses nos EUA, presenciei todas as estações do ano e a beleza de cada uma delas.

Mudança de estações
Mudança de estações por Bárbara Quintela

A primavera é super florida, as pessoas plantam flores pra colocar na porta de entrada de casa e, as plantas dos jardins que pareciam que tinham morrido no inverno começam a voltar a vida e a florir.

No verão faz muito calor tanto quanto no Brasil (ou mais!) e fica tudo muito verde! As pessoas ficam na rua até mais tarde já que os dias são mais longos.

O outono já é minha estação do ano preferida por aqui, a diferença é que nos EUA começa a estação dos feriados também no outono, com o Halloween e abóboras pra todo lado! e tudo fica amarelo, laranja e marrom…de um jeito lindo!

As crianças realmente pedem doces no Halloween por lá. Sim, me vesti de gato de Cheshire e fiz um sorrisão de cartolina. Só uma criança adivinhou quem eu era. Óbvio que dei mais doces pra essa criança… hahahaha!

Com o frio intenso e os dias mais curtos, as pessoas ficam meio desanimadas acho que por isso os feriados são tão celebrados lá. Mas a verdade é que o cenário todo coberto de neve é lindo!

Eu achava lindo por que era meu primeiro inverno de verdade. Os americanos só viravam o olho e diziam “First winter”… 🙄

Obs: Clique na imagem e dê um zoom na árvore verde. Depois me conta…

Realmente curti muito todas as estações. Como não temos tanta definição, pelo menos na região que moro no Brasil (Sudeste) me achava dentro de um filme enquanto morei no NM.

3 – Cultura do Novo México

Durante o doutorado sanduíche fiquei alocada em um laboratório de pesquisa no estado do Novo México, um estado não muito conhecido nem pelos próprios americanos muito menos pelo resto do mundo. Corta pra Barbara tendo que explicar pra família/amigos que não estava indo para o México, país e sim Novo México, estado americano.

Até hoje tenho que explicar que nunca fui para o México… espero conhecer um dia!

Deixei esse tópico para o final para poder contar um pouco do que vou levar desse estado incrível. Acho que vale um post só pra ele!

Resumindo o que aprendi sobre esse estado incrível: para começar, a frase oficial do estado é “terra do encantamento” (Land of enchantment) e posso garantir que não é à toa!

white sands
White Sands por Bárbara Quintela
Cânion do Rio Grande e Vilarejo de Taos por Bárbara Quintela

No mesmo estado existe: montanhas com estação de esqui, deserto de areia branca (gypsum), cânions, cavernas impressionantes, museu UFO (Alguém mais assistia Roswell?), Breaking Bad se passa em Albuquerque (NM), vulcão inativo, laboratório do governo que um dia foi secreto e hoje é um dos maiores centros de pesquisa do mundo em diversas áreas, faz divisa com mais três estados (Arizona, Colorado e Texas) tem um monumento “four corners” devido a essa fronteira entre 4 estados, sol praticamente o ano todo,  cultura hispânica muito rica, cultura nativa americana muito presente, as casas de adobe e…

GREEN CHILE (pimenta verde)!

Sério! Green chile do Novo México é algo único e especial desse estado! Todo mundo que experimenta vicia nessa iguaria! Vou sentir falta disso tudo! Principalmente do green chile & cheese burguer! Pizza de pepperoni com Green Chile! Mac’n’cheese com Green Chile…

Ps: Esse post estava escrito há praticamente 2 anos e não sei porque não postei na época! Pensando bem, os últimos 2 anos foram de muitas mudanças para mim e o blog estava completamente de lado, então acho que eu sei sim porque não postei…

E além disso, quem lê posts de blog hoje em dia anyway...

De qualquer forma fica o registro pra quando eu quiser lembrar novamente dessas experiências 🙂

Ps 2: Eu tive oportunidade de voltar ao Novo México esse ano para uma homenagem ao meu orientador de lá. Foi super rápido mas fiz questão de ir. Consegui encontrar alguns amigos que fiz por lá também além de participar de um congresso com os melhores cientistas da minha área. Espero voltar lá sempre que puder!

Para saber mais sobre o Novo México:

Melhor referência de turismo!

Pesquisa Google sobre montanhas do Novo Mexico

El camino real de tierra adentro – Facebook

White Sands National Monument – Facebook

Carlsbad Caverns National ParkFacebook

International UFO Museum RoswellFacebook

Espero que tenham curtido ler sobre um pouco da experiência que tive no Novo México, EUA.

7 Coisas que Aprendi com o Doutorado Sanduíche nos Estados Unidos

Já comentei aqui quando comecei o doutorado sanduíche nos EUA e expliquei como surgiu a oportunidade e o que precisei fazer antes de embarcar. Vale a pena ler se está pensando em passar pela mesma experiência!

Gostaria de deixar registrado também algumas coisas que aprendi com essa experiência que recomendo a todos que tiverem oportunidade! Espero que possa ser um incentivo para quem está pensando em começar e também um momento de boas lembranças para quem passou por algo semelhante!

7 coisas que aprendi com o doutorado sanduíche:

1 – A melhor forma de entender algo é explicando pra alguém

Desde que cheguei ao laboratório assisti a diversas palestras, pelo menos uma por semana. Por lá os pesquisadores e estudantes são incentivados a apresentar seu trabalho com certa frequência. Em todas as palestras percebi a intensa interação entre o grupo e como surgiam novas ideias e críticas importantes ao trabalho.

Todas as vezes em que eu tive que apresentar meu trabalho (3 vezes em 9 meses) eu percebi o quanto ter que falar sobre meu problema e como estou resolvendo me ajudou a entender melhor o que eu estava fazendo e onde poderia chegar.

2 – Pesquisadores conhecidos podem ser mais acessíveis do que parece

Uma das coisas que me impressionou quando cheguei foi a facilidade que encontrei pra conversar com meu mentor. Ele estava sempre com a porta da sala aberta.

Durante minha estadia, o grupo recebeu uma série de pesquisadores visitantes de várias partes do mundo com quem possuem algum tipo de colaboração. Todos apresentaram seus trabalhos e estavam disponíveis para conversar e ajudar.

3 – Colaboração é a palavra-chave

Semelhante ao item anterior percebi que manter uma rede de colaboração é essencial no universo de pesquisa. Acredito que seja verdade para todas as áreas. E entendi que principalmente para alguém que espera continuar pesquisando numa área interdisciplinar é preciso estender a rede de contatos e colaborações.

Várias oportunidades de pesquisa e publicações, tão valorizados na área acadêmica, surgem de colaborações com pesquisadores e institutos diversos. Cada pessoa/grupo tem algo diferente a oferecer e a colaboração torna os trabalhos mais ricos ao permitir diversas formas de se resolver um determinado problema.

4 – Não ter medo de pedir ajuda

Logo que cheguei não tive muito tempo para entender o problema que estaria trabalhando e já fui logo tendo que começar a resolver. Após um mês ainda não tinha nada de concreto e meu mentor lá fora começou a se preocupar. Claro que bateu logo uma insegurança quando comecei a me deparar com possíveis erros de implementação. Mais tarde descobri que não estava cometendo nenhum erro mas havia um problema na definição do modelo que estávamos desenvolvendo.

Bom, só foi possível descobrir qual era o verdadeiro problema quando pedimos ajuda. Um dos pesquisadores visitantes era especialista em implementação de soluções de problemas do tipo que eu precisava resolver e me ajudou imensamente! Pudemos fazer os ajustes necessários para corrigir o real problema. Pedir ajuda pode ser a solução!

5 – Trabalhar é importante e se divertir também

Quando entrei no doutorado resolvi que continuaria fazendo sempre o melhor que pudesse mas, com a condição de ter tempo pros meus hobbies também! E quando comecei o sanduíche constatei que fora do Brasil é mais do que normal e esperado que se tenha tempo livre! As pessoas estão sempre conversando sobre seus hobbies e como foi a caminhada ou a viagem ou o show ou qualquer coisa que tenham feito à noite ou no fim de semana.

Durante o expediente todos são super focados e trabalham bastante buscando sempre a melhor solução para os problemas. Mas deixam o trabalho no local de trabalho! Claro que época de deadline é igual em todo lugar…

6 – Ambiente de trabalho pode fazer diferença

Tive a oportunidade de ter uma mesa em uma sala compartilhada que era meu local preferido no lab por ser em um centro de estudos que agrega estudantes e profissionais de áreas diversas com palestras e eventos frequentes.  Durante o verão principalmente quando o laboratório recebe estudantes de toda parte do mundo e pude fazer novas amizades e possíveis futuras colaborações.

Tive contato com pessoas motivadas que realmente amam o que fazem o que é uma grande inspiração!

Devemos buscar sempre essa motivação e ser essa pessoa que contagia os outros! Momento #FicaADica #SejaAMudançaQueQuerVerNoMundo do texto…

7 – Ter metas claras

Isso vale pra qualquer coisa na vida! É essencial saber onde quer chegar e o que quer alcançar.

No caso do doutorado sanduíche ter metas me ajudou bastante a lidar com a distância da família e dos amigos. Só precisava focar no próximo prazo e seguir em frente.

Quando percebi a próxima meta já era voltar pra casa e defender a tese! Como passou rápido!!!

Extra:

Estando fora pude valorizar as boas práticas do meu programa de pós-graduação no Brazil! Mesmo estando longe dos maiores centros de pesquisa mundiais, o programa sempre investe em colaboração com pesquisadores de outros programas no Brasil e no exterior. Se preocupam em oferecer todos os recursos que sejam necessários às pesquisas realizadas para que os alunos em formação tenham as melhores oportunidades. Como ex-aluna só tenho a agradecer!

Concorda com os pontos? Deixe um comentário! Vou adorar ler sobre outras experiências também!

Espero que esse post tenha sido útil!

Muito obrigada!

Doutorado Sanduíche – Estados Unidos

Consegui!

Seguindo a linha dos posts relacionados a pós-graduação, gostaria de relatar um pouco da minha experiência até o momento (Julho de 2014) com o doutorado sanduíche. Desde o início da pós-graduação – ainda no mestrado – já buscava a possibilidade de passar alguns meses em uma instituição de pesquisa fora do país. Por algum tempo cheguei a pensar que não seria possível, que seria muito difícil, quase impossível encontrar alguma instituição disposta a me receber por um tempo. No entanto, depois da qualificação ficou ainda mais claro para mim o quanto essa experiência acrescentaria e seria praticamente essencial para a validação do meu trabalho. Retomei a busca por uma colaboração com força total!

De forma geral, o doutorado sanduíche surge a partir de contatos do(s) orientador(es) e no meu caso, os contatos não eram da mesma área que estou pesquisando então precisávamos de novos contatos! 🙂 O que dificultou bastante…

Mandamos e-mail para os quatro cantos do mundo e após alguns retornos que não avançaram, quando menos esperávamos, um casal de pesquisadores americanos em visita ao nosso programa de pós-graduação nos apresentou uma possibilidade. Um aluno deles tinha passado alguns meses em um laboratório com um pesquisador influente na área (modelagem computacional de doenças infecciosas), eles fizeram o contato e pronto! Deu-se início a etapa de preparação de documentos para solicitar a bolsa no exterior (Passo a passo do programa de doutorado sanduíche da CAPES).

Passo a passo doutorado sanduíche
Esquema ilustrativo do passo a passo para solicitar bolsa de doutorado sanduíche (CAPES PDSE).
Mas, vai dar tempo?

Como já estava no último ano do doutorado, não poderia passar o ano todo no exterior pois ainda é preciso voltar antes da defesa… Mas determinei que passaria o maior tempo possível, no caso 9 meses para poder voltar para defender a tese dentro do prazo de quatro anos, já que segundo as regras da CAPES quem recebe a bolsa no exterior não pode prorrogar a defesa. Quem está lendo e fez as contas imagina que tive pouco tempo para ter a aprovação e embarcar. Graças a Deus e muito esforço pessoal para manter os prazos, consegui resolver tudo em dois meses. Mas não indico! Foi muito estressante e até o último minuto duvidei que conseguiria! Mas, se tem uma possibilidade semelhante e está se perguntando se vai dar tempo, não hesite! Faça as contas do tempo que demora a aprovação na sua instituição e o tempo para a instituição no exterior te encaminhar o formulário deles (que vai ter que guardar com a sua vida até voltar! E é o único documento que precisa mesmo durante a entrevista para o visto*), etc. Paralelize o máximo de atividades que puder!

Chegada no exterior

A CAPES modificou esse ano (2014) o formato de pagamento das bolsas no exterior e, só fiquei sabendo depois de embarcar. Não, não tinha nada na página deles, eu li todas as páginas e portarias possíveis! Quando saí do país eles tinham depositado a bolsa e os auxílios na minha conta no Brasil. A informação que tinha é que quando chegasse no destino, deveria abrir uma conta para receber as próximas bolsas. Quando cheguei, enviei todos os comprovantes de que tinha chegado e recebi uma mensagem dizendo que a CAPES me enviaria um cartão tipo pré-pago e depositaria nele as próximas bolsas. Fiquei tensa porque seria enviado pro meu endereço no Brasil e minha família teria que encaminhar pro meu novo endereço no exterior. Quando o cartão chegou finalmente, achei muito melhor do que ter que abrir conta! Funciona perfeitamente! Ponto pra CAPES! 🙂

Nessa correria toda para viajar consegui achar uma casa que gostei, perto do laboratório, fácil de pegar ônibus. Tenho ido e/ou voltado a pé quase todos os dias. A saúde agradece já que fast-food é uma refeição bem comum por aqui! rs Recomendo que use ferramentas como o Google Street View sempre que possível para dar uma olhada na vizinhança se for para um laboratório ou para uma Universidade que não ofereça alojamento. Eu busquei anúncios na página do laboratório e indico que busque esse tipo de informação nos serviços para estudante do local que está indo. É mais confiável mas sempre tem o craigslist

Longe de ser férias…

Pra quem pensa que doutorado sanduíche é férias está muuuuito enganado! Trabalho tanto ou mais do que se estivesse na minha instituição. Afinal de contas tenho uma tese pra defender! Não se esqueçam disso pois eu não esqueço. Alguém mais sonha com a tese? Você vai começar a sonhar em outro idioma também, se prepare… Aliás, não tive problemas com o idioma até agora e fui elogiada várias vezes! Ponto pra Grifinória mim!

[Dica para quem ainda está planejando e tem tempo antes de embarcar: estude o idioma falado no país para o qual quer ir! Não tem mistério! Faça as benditas redações e leia livros no outro idioma para ganhar vocabulário! (Leia em português também ler é sempre bom). Mas não, 50 tons não conta, tá? 😉 Para quem é de Juiz de Fora-MG e quer estudar inglês ou espanhol indico sempre o curso Bridge! Professores excelentes e método super completo! Não é merchan e não estou ganhando nada com isso, só acredito demais no trabalho deles e foi lá que estudei e se precisar volto e indico pra todos! Tem filial em outras cidades também (Cataguases – MG, Três Rios e Paraíba do Sul – RJ).]

Bom, estou super satisfeita com o trabalho até o momento! O primeiro mês foi mais lento acho que demorei a ter algum resultado mas contei com ajuda de colegas do grupo de pesquisa e outros pesquisadores visitantes dispostos a colaborar que tornaram o trabalho mais produtivo. Acredito que esse contato com outras pessoas é uma grande vantagem desse tipo de experiência. Dentro de um grupo tendemos a resolver as coisas de uma mesma forma e essa troca de experiência com outros grupos é bastante enriquecedora. Em breve vou compartilhar na página sobre minha pesquisa o que tenho feito durante o sanduíche também.

Bom, não vou me estender muito nesse post e, acredito que resumi beeeeem superficialmente o que está sendo essa experiência até o momento. Se tiver alguma pergunta ou caso queira acrescentar algo por favor deixe comentários abaixo!!! Prometo responder o mais rápido possível! 😀

Ps: Antes de embarcar esses blogs me ajudaram muito:

Escreva Lola Escreva
Fabio Augusto Faria
Welcome to Aggieland

Espero que eu tenha ajudado também!

* Estou falando do visto J-1 para os Estados Unidos. Vale verificar os requisitos para outros países pode ser bem mais fácil dependendo do lugar.