Como é a carreira acadêmica na Itália?

Verona

Após passar um ano na Itália fazendo um pós-doutorado algumas pessoas me perguntaram pessoalmente ou pelas redes sociais como é a carreira acadêmica na Itália.

Ouvi também várias vezes perguntas do tipo: “porque você não fica na Itália? O professor supervisor do pós-doutorado me perguntou pelo menos umas três vezes se eu tinha certeza que não queria continuar por lá rs… enfim! Vou explicar um pouco como funciona a carreira acadêmica por lá e porque não fui de vez. Colegas, podem ficar tranquilos 😉

Antes de falar sobre a Itália vou situar primeiro como é a realidade do Brasil – deixando claro que falo da realidade que eu conheço! Claro que podem ter outras oportunidades que não comentei e para isso peço que deixem comentários!

Atualmente, de forma bastante resumida, após realizar um curso superior, existe a opção de realizar pesquisa através da formação de Mestrado seguido de Doutorado. Durante essa formação podem existir contratos no formato de bolsa de estudos que auxiliam a realização de pesquisa que requer muitas horas de dedicação para ser completada. Durante a graduação existe também possibilidade de participar de programas de iniciação científica com bolsa ou como voluntário. Algumas empresas também fazem parcerias com as Universidades para financiar pesquisas mas atualmente a maior parte do financiamento é público. O cargo de pesquisador não é muito difundido mas existem centros de pesquisa que contratam pesquisadores de diversas areas. De forma geral, a maior parte da pesquisa no Brasil é feita por Professores e estudantes dentro de Universidades e Institutos conforme o link abaixo:

Na Itália existem também as bolsas para a realização da pesquisa durante o doutorado mas já existe uma diferença inicial com relação ao Mestrado. Por lá, o mestrado é muitas vezes considerado parte da formação e muitos fazem a “laurea trienale” que são 3 anos de formação básica que já garante um título. Correspondente no Brasil aos cursos de ciclo básico como formação em “Ciências Exatas”, por exemplo. Mas como é pouco tempo, de forma geral a maioria dos alunos italianos fazem também a “laurea magistrale” que são mais 2 anos de pesquisa, provas e escrita de uma tese. Então por lá praticamente todo mundo tem mestrado.

Após ter feito um doutorado na Itália, existe a possibilidade de trabalho como Ricercatore A (pesquisador A). A vaga é aberta pela própria Universidade e a pessoa interessada se inscreve e participa do processo seletivo. Esse tipo de vaga geralmente dura 3 anos podendo ser prorrogado por mais 2. E existe um limite de tempo em que uma pessoa pode trabalhar como Ricercatore A, que são 9 anos. É comum uma pessoa terminar os 5 anos e passar em outra seleção do mesmo tipo. Esse pesquisador é obrigado a ensinar uma disciplina por ano (total de 90 créditos por ano se nao me engano). Que sonho para jovens professores/pesquisadores no Brasil que ensinam muito mais horas que isso por semestre…

Depois disso, a continuação da área acadêmica por lá implica buscar uma vaga como Ricercatore B (pesquisador B), que também tem duração de 3 anos e também inclui um determinado número de créditos de ensino que é um pouco maior do que o pesquisador A (algo em torno de 120 créditos por ano que continua sendo um sonho para quem quer trabalhar com pesquisa por aqui). A vaga também é aberta pela própria Universidade, no entanto, geralmente para poder se inscrever, o pesquisador deve primeiro passar por uma avaliação nacional chamada “Abilitazione Scientifica Nazionale“. Não é obrigatório que já tenha passado para se inscrever, mas na prática só é chamado para Ricercatore B quem já passou nesse exame nacional. Pois, nessa vaga depois de 3 anos, de acordo com o desempenho do pesquisador, este pode ser chamado para fazer parte do quadro permanente como Professor da Universidade adquirindo estabilidade. Pode demorar muitos anos para chegar a ter estabilidade se pensar que sao no mínimo 3 como pesquisador A e 3 como B e na prática acabam ficando uns 5 anos como A podendo passar em outra seleção ainda como A até conseguir aprovação na prova nacional para pleitear a B…

Sobre a “Abilitazione“, é uma avaliação feita por área e o pesquisador pode se inscrever para ser avaliado em quantas áreas quiser. Cada área tem seus critérios definidos e para ser avaliado deve alcançar 2 dos 3 requisitos principais que são basicamente métricas de publicações: número de publicações em revistas científicas da área escolhida, número de citações e fator h. O valor necessário para cada uma dessas 3 métricas é definido por área então é importante conferir antes de se inscrever.

Sobre as perguntas iniciais, eu nao fui com intenção de me mudar pois já tenho estabilidade no Brasil por ter sido aprovada em concurso público como professora e acredito que tenho muito a contribuir por aqui 🇧🇷 E, por isso, apesar de ter amado morar na Itália 💚❤️🤍 🍕 não trocaria a estabilidade que já alcancei nesse momento para seguir todo o percurso que expliquei nesse texto.

Acredito que essas informações podem ajudar quem está começando a carreira e tem vontade de morar na Itália. Pode ser que alguns detalhes informados nesse texto mudem com o tempo então se estiver lendo muito tempo depois do que foi escrito melhor conferir! Cada país tem suas regras então se tem vontade de trabalhar com pesquisa em outro país que não seja a Itália é importante conhecer para se preparar de acordo. É totalmente possível competir com quem já está lá desde que também conheça as regras.

Referências:

[1] https://www.deviante.com.br/noticias/quem-faz-pesquisa-no-brasil/
[2] https://abilitazione.miur.it/public/index.php

Dica: Gerenciar Referências

A primeira etapa de qualquer pesquisa científica é a revisão da literatura. Essa revisão permite identificar qual o estado da arte do problema sobre o qual tem interesse e serve para compreender o que já foi feito na tentativa de responder a uma pergunta científica específica. Muitas vezes a própria pergunta surge após a revisão de literatura identificar que existe uma questão em aberto que ainda não foi respondida.

Feita essa motivação, o objetivo desse post é apresentar minha experiência com uma ferramenta para auxiliar no controle das referências que já leu / está lendo / pretende ler, para ajudar a identificar quais são mais relevantes etc. Esse processo também pode ser conhecido como “fichamento”. Se ainda não utiliza uma ferramenta para auxiliar a gerenciar as referências da monografia/dissertação/tese, esse post apresenta uma opção que tenho usado ultimamente.

Já utilizei outros formatos, desde apenas colocar as “fichas” em um editor de texto mesmo, ou ferramentas específicas como o JabRef. Existem muitos outros que deixo o link pois pode ser que prefira outro formato: EndNote, Mendeley, Citeulike, RefBase, RefWorks, Reference Manager.

Há algum tempo venho utilizando o Zotero e tem me ajudado muito a organizar melhor as referências. Tenho gostado bastante da possibilidade de organizar referências de vários projetos distintos compartilhados com grupos diversos.

Uma funcionalidade que acho super útil é o plugin para o navegador que permite fazer download de qualquer referência direto para a biblioteca. É possível adicionar as referências manualmente também mas com a existência desse plugin raramente preciso fazer isso. Basta clicar em um botão que a ferramenta já importa todas os dados de autores, revista, data, doi etc.

Adicionar arquivo ao Zotero.
Adicionar arquivo PDF ao Zotero. Fonte.

É possível também inserir uma referência dentro do Zotero através de um identificador:

Adicionar ao Zotero por identificador (doi, isbn,pmid). Fonte

A ferramenta possibilita ainda escrever anotações sobre cada referência, o que recomendo fortemente pois depois de um tempo não lembramos todos os pontos importantes. Existem ainda outros plugins que podem ser adicionados como, por exemplo, um que oferece uma contagem de citações e quantos suportam ou disputam cada referência (scite).

Exemplo de visualização do Zotero com uma coluna que mostra se tem anotação adicionada (parece um post-it amarelo) e colunas que mostram contagem de referências que suportam, disputam e que mencionam cada uma das referências na lista. Fonte: da autora.

A biblioteca inteira pode ser exportada em vários formatos conforme mostrado na imagem abaixo incluindo o formato bibTeX que é perfeito para quem usa o LaTeX para escrever os textos acadêmicos.

Formatos para exportação da biblioteca de referências. Fonte: da autora.

Quem usa Word e OpenOffice também tem o trabalho de citações facilitado ao usar o plugin do Zotero para esses editores. Basta usar o comando “inserir citação” que abre uma busca para a referência salva na sua base de referências do Zotero. E ele já inclui a citação no local selecionado e adiciona a referência completa no final do texto.

Ps: Se tiver interesse clique aqui para ver a lista completa de plugins do Zotero.

Ps 2: Eu sou fã do LaTeX e tenho vários posts nesse blog sobre os comandos e como usar. É só usar a busca aqui do blog ou clicar na categoria LaTeX no menu lateral.

Este post não tinha intenção de ser um tutorial mas uma fonte de informações sobre gerenciamento de referências. Caso esteja buscando um tutorial indico:

Qualquer dúvida ou sugestão deixe um comentário!

Série: Sobrevivi à Pós-graduação – ebook!

Dicas rápidas para sobreviver à pós-graduação - ebook

Finalmente no recesso de final de ano consegui realizar algo que queria há muito tempo. Eu havia escrito uma série de dicas sobre pós-graduação quando terminei o doutorado em 2015 e queria transformar em um guia ou ebook. O tempo passou, e com outros compromissos essa ideia caiu no esquecimento.

Depois de um problema com a tela do computador em 2020, enquanto conferia o backup achei novamente esses textos que não me lembrava mais que tinha escrito. Recuperei os textos e postei 7 dicas aqui pelo blog nessa série “sobrevivi à pós-graduação”. Atualizei o que achei necessário e adicionei algumas fotos minhas mais recentes para ilustrar.

Para quem gostou dos textos postados por aqui, eu finalmente concluí o plano inicial e transformei todas as 19 dicas em um ebook. Disponível para download gratuito para quem usa o kindle unlimited ou por R$5,99:

Vou continuar postando outras dicas e tutoriais aqui no blog mas os outros textos dessa série são exclusivos do ebook.

Espero que seja útil! Deixem opiniões por aqui ou lá no site.

Serie: Sobrevivi à pós-graduação – Aprenda a pedir ajuda

Via Indipendenza em Bologna iluminada

Talvez você seja uma pessoa aberta a pedir ajuda sempre que se vê estagnado em alguma coisa e entende que toda pesquisa é feita de troca de informação. Essa dica é importante para o outro tipo de pessoa. Aquela que acha que tem que saber tudo e que ter dúvidas e fazer perguntas pode demonstrar uma fraqueza, que te faz menor ou inferior de alguma forma. Se você se identifica nesse momento com a segunda descrição continue lendo.

A primeira coisa que gostaria de reforçar nesse texto é que perguntar e pedir ajuda demonstra que você se importa e que está buscando aprender! Não estou falando para pedir ajuda a cada vírgula, mas para aqueles momentos que já tentou resolver um problema de mais de uma forma e continua tendo um problema… Nesses momentos fazer parte de um grupo de pesquisa ou frequentar um laboratório ajuda bastante. Pois muitas vezes o colega que está sentado no computador ao lado já passou por essa situação e poderá te ajudar. Se não fizer parte de um grupo, pode recorrer a comunidades online e escrever aos seus professores orientadores/supervisores.

Não espere passar o tempo para pedir ajuda. Aproveite todos os momentos da pós-graduação enquanto é considerado um período de formação para aprender. Afinal de contas, se já soubesse todas as respostas esse trabalho não seria necessário. É importante lembrar que atividades de pesquisa geralmente lidam com a fronteira do conhecimento e pode acontecer de ter que lidar com perguntas que ainda não tem uma resposta mesmo. Não se cobre excessivamente : )

Sempre que precisar, peça ajuda.

Se está lendo esse livro antes da pós-graduação: Perguntar e pedir ajuda demonstra que tem interesse. Vale para qualquer coisa que queira aprender.

Se está lendo esse livro durante a pós-graduação: Lembre-se que perguntar e pedir ajuda demonstra que tem interesse. Ah OK, exagerei no CTRL+C (copiar), CTRL+V (colar) mas espero que tenha entendido a ideia. Peça ajuda sempre que estiver agarrado em algum problema.

Se está lendo depois: Você se sentiu julgado por pedir ajuda? Você julgou alguém que te procurou para pedir ajuda?


Se achou util compartilhe!

Bom 2021 para todos!

Série: Sobrevivi à Pós-graduação – Tire férias!

letra da musica futura de Lucio Dalla

Escolhi essa dica, que acredito ser uma das mais importantes, para ser a última dessa série que compartilho em 2020. No post anterior falamos sobre ainda ser visto como estudante e, o fato é que a pós-graduação apesar de também ser uma etapa da vida profissional não é reconhecida como trabalho e sim, como parte da formação. E com isso, não contempla os direitos trabalhistas. 

Durante a escola e o período de graduação, fomos condicionados a seguir um calendário acadêmico baseado no período letivo, com aulas e, o período sem aulas naturalmente se tornava período de férias. 

Durante a pós-graduação não é bem assim. A ausência de aulas não implica naturalmente em férias. Depende das atividades que os professores passaram para serem entregues. Depende se já está trabalhando na dissertação/tese e, com isso sempre tem trabalho a ser feito. 

Infelizmente, existe uma cultura que valoriza trabalho após o horário comercial e durante os finais de semana. Que pessoalmente não recomendo, mas isso é assunto para outro tópico. 

Aqui, nesse momento, gostaria de dizer: combine férias com seu orientador. Já se programe desde o início. Veja quais são os períodos mais críticos de deadlines de entregas de artigos para conferências e de trabalhos para disciplinas e agende uma semana inteira de folga depois dessas entregas para descansar a mente. 

Nosso trabalho é muito mental e, precisamos estar com a mente descansada para conseguirmos pensar e ter novas ideias que acrescentam ao que estamos desenvolvendo durante a pesquisa. Se programe e tire férias!

Se achou útil, compartilhe.

Boas Festas!

Série: Sobrevivi à pós-graduação – Acostume-se com metas e prazos

Objetivos

Uma parte importante do trabalho acadêmico é comunicá-lo. Por isso devemos estar preparados a ter sempre prazos para submeter artigos para conferências e revistas científicas e, possivelmente, à preparar relatórios para reuniões com os orientadores.

Ter objetivos claros e utilizar um calendário pode ajudar bastante a se organizar. Seja um calendário de papel, agenda, planner ou calendário virtual. Já escrevi sobre o que me ajuda nesse post.

E, muito importante: não espere que a/o orientador/a te diga tudo o que você tem que fazer. Acredite que são pessoas ocupadas com várias coisas ao mesmo tempo. Você teoricamente, precisa se preocupar “só” com o seu projeto. Tome posse do seu projeto. Pense que enquanto estiver trabalhando nele ele é o “seu” projeto. Conheça e entenda o objetivo do seu projeto e realize as atividades que te ajudem a alcançar esse objetivo. Isso realmente é bastante específico e por isso ficou meio vago aqui.


Tentativa de exemplo da minha área: se preciso ajustar parâmetros de um modelo para representar dados experimentais, já sei que preciso conhecer o tipo de modelo, quais métodos já foram usados para fazer isso, quais são mais indicados para esse tipo de modelo, após definir o método, ou métodos que irei usar, devo programá-los e executá-los. E anotar todas as configurações utilizadas e resultados obtidos de forma a permitir repetição. Você deve saber os passos que precisa executar para o seu projeto. E, conforme aparecerem as dúvidas, procure ajuda do orientador ou colegas que já trabalharam com isso. Sempre existe uma solução.


Provavelmente você foi comunicado sobre os passos esperados nas reuniões iniciais e, caso não tenha anotado, não se lembre etc. pergunte a seu/sua orientador/a quais são os passos e as expectativas de publicação do trabalho que está realizando. E, organize-se de acordo com os prazos.

Se está lendo antes da pós-graduação: prepare-se para aprender a gerenciar a si mesmo e ter que lidar frequentemente com “prazos” para submissão de artigos para conferências e revistas e reuniões.

Se está lendo durante a pós-graduação: se ainda não começou, crie uma rotina separando horários para leituras, desenvolvimento dos experimentos e escrita. Frequentemente busque se informar das melhores revistas e conferências da sua área e acompanhe os cronogramas desses eventos. Prepare relatórios para reuniões no formato de apresentações. Dessa forma quando tiver que preparar apresentações para eventos não precisará começar do zero.

Se está lendo depois: tenho certeza que já está acostumado com metas depois de ter passado por uma pós-graduação. Eu queria ter implementado algumas dessas dicas enquanto ainda era estudante. Muitas coisas aprendi depois. Se acredita que essas informações são úteis compartilhe.

Série: Sobrevivi à pós-graduação – Apaixone-se pelo tema

Arte de rua por Alessio B

Continuação do primeiro post dessa série que sugeri começar pelo tema.

Motivação é essencial. Em qualquer trabalho não somente na pós-graduação. Tenha certeza que ao escolher o projeto não se guie apenas pelo possível retorno financeiro que a área X terá sobre a Y. Lembre-se que terá que conviver com o assunto que escolher por 2  anos (mestrado) ou 4 anos (doutorado)! Esses prazos consideram a duração dos programas brasileiros. Fora do país os conceitos de pós-graduação são um pouco diferentes.

Quando entrei no mestrado não tinha ideia de um problema específico e contei com a sorte de ser convidada para um projeto quando estava encerrando as disciplinas e um pouco perdida sem saber para que lado ir. No fundo eu sabia que queria aplicar meus conhecimentos de computação à área de saúde, mas ainda não tinha ideia de como seria possível.

O projeto que fiz parte durante o mestrado era aplicado à engenharia civil. Aprendi uma técnica de homogeneização que permitia calcular as propriedades de materiais compósitos a partir das propriedades de cada parte componente utilizando matemática para fazer essa média aproximada. Como não sabia exatamente o que fazer na época, esse projeto foi perfeito. Aprendi muito com meus orientadores: uma engenheira civil e um cientista de computação. Tive trabalhos publicados a partir desse trabalho que me ajudaram a entrar no doutorado e conseguir realizar uma parte do doutorado no exterior. Eu não me considerava exatamente apaixonada pela aplicação em si, mas a técnica que aprendi poderia ser aplicada a outras áreas que não necessariamente a engenharia civil. 

E, na verdade aquele conhecimento foi essencial para realizar um segundo pós-doutorado no exterior, dessa vez na Itália. Dessa vez tive oportunidade de trabalhar no desenvolvimento de uma ferramenta para orquestrar a simulação de modelos multiescala para diagnóstico e prognóstico de tumores sólidos em que foi necessário desenvolver funções de homogeneização.

Quando decidi me inscrever para o doutorado tive oportunidade de mudar a área de aplicação e estudar métodos e técnicas novas o que realmente me motiva bastante. Sempre gostei de aprender coisas novas. No doutorado pesquisei modelos para representar infecções e a resposta do organismo utilizando equações diferenciais. Desenvolvi uma técnica de acoplamento de modelos e pude trabalhar com um modelo de infecção em um grande laboratório de pesquisa no exterior.

Se está lendo antes da pós-graduação: Lembre-se de definir um projeto que te instigue e te motive a buscar uma resposta. Siga um pouco o que sua intuição te diz.

Se está lendo durante a pós-graduação: No início é possível trocar o tema se for algo que esteja mais desgastante do que interessante. Pergunte-se se realmente gosta do assunto que está estudando ou se qualquer coisa parece mais importante do que o que tem que fazer agora. Lembre-se também que no dia a dia todo trabalho tem as partes chatas e, é importante não perder o foco no objetivo final. Lembre-se porque está fazendo isso.

Se está lendo depois: Olhe para trás e concorde comigo que é mais fácil quando escolhe um tema que realmente te motiva a querer saber mais. Se tiver uma opinião diferente deixe um comentário. E se acredita que esse texto pode ser útil a quem está começando, compartilhe!

Série: Sobrevivi à pós-graduação – Comece pelo tema

Vou fazer uma pequena introdução a esse post. Há alguns anos escrevi uma série de textos curtos no formato de dicas rápidas para quem pensa em entrar ou já entrou numa pós-graduação. Esse projeto ficou completamente esquecido e só lembrei porque encontrei um arquivo estranho enquanto fazia um backup do notebook. Lendo novamente percebi que as coisas que havia escrito continuavam fazendo sentido e resolvi postar aqui no blog como uma série de posts. São textos curtos sobre coisas que deram certo para mim ou que eu sabendo o que sei hoje teria feito melhor.


Quando eu entrei no mestrado, não era exigido um projeto para começar. Apenas ao final do terceiro trimestre depois de cursar todas as disciplinas que eram obrigatórias que deveríamos ter um projeto para a dissertação. Mas, independentemente da necessidade de ter o projeto no início ou não, acredito que seja interessante ter uma ideia do trabalho que será realizado para ter mais discernimento na escolha das disciplinas que irá cursar. Algumas disciplinas serão obrigatórias e comuns a todos independente do tema de pesquisa, mas, outras disciplinas que investirá o seu tempo devem preferencialmente ser relacionadas ao seu tema.

O objetivo é cursar disciplinas que te proporcionarão a melhor base possível para a resolução do problema proposto. Mesmo que não tenha um projeto formalizado, a dica é: tenha uma ideia clara do tema que tem interesse e converse com professores dessa área no seu programa antes de começar, se possível! Mesmo que não siga à risca um determinado projeto, sabendo o tema desde o início terá ao menos uma base para seguir e fazer ajustes conforme necessário.

Ah, mas eu não tenho ideia de tema… Será? No fundo se está pensando em cursar uma pós-graduação você tem uma ideia do que gostaria de fazer. Mas se realmente não tem ideia nenhuma, não se preocupe. O importante é conversar com possíveis orientadores. Eles terão capacidade de te dizer se a ideia vale a pena ser investigada. Ou possivelmente te apresentar ideias de projeto que eles estão trabalhando que tenham a ver com seu perfil.

Eu tinha uma ideia muito vaga do que gostaria de fazer e não conhecia os professores da instituição (e além disso eu era extremamente tímida). Tive sorte de uma professora me propor trabalhar em um projeto de pesquisa enquanto eu ainda cursava as disciplinas. Nesse projeto acabei saindo da minha ideia inicial mas foi ótimo e aprendi demais! E tive contato com outro professor que viria a ser meu orientador de doutorado em outro tema que tinha mais a ver com minha ideia inicial. Mas isso é assunto pra outro post.

Se está lendo antes da pós-graduação: aproveite o tempo que tiver disponível para pensar no seu tema/projeto. Converse com possível/eis orientador/es e trace pelo menos uma linha geral e quais disciplinas são realmente úteis para a solução do problema proposto.

Se está lendo durante a pós-graduação: Espero que já tenha orientador/es e projeto definido, senão procure o quanto antes possível/eis orientador/es e converse com eles a respeito. E converse também com os colegas sobre o assunto. Eles já tem tema definido? Como fizeram?

Se está lendo depois: Faria uma recomendação diferente? Deixe um comentário! Se acredita que essa dica é útil, envie para alguém que está começando 😉


Obs: eu tinha escrito os textos pensando em pós-graduação stricto sensu. Mas para quem está fazendo ou pensa em fazer uma especialização lato sensu a dica muda pouco. O curso de especialização geralmente já possui todos os módulos pré-definidos e, portanto a ideia de escolher disciplinas de acordo com o tema não se aplica. No entanto, ter uma ideia de tema desde o início continua sendo interessante para saber quais professores pode procurar para orientarem a monografia.

Como mantenho a motivação em 2020?

cappuccino

Espero que esse título não soe como uma armadilha e crie expectativas excessivas. Antes de continuar, gostaria de deixar claro que estou longe de ser a pessoa mais motivada do mundo! Mas se a falta de motivação é algo que te incomoda, acompanhe este raciocínio comigo. Se você já é super motivado deixe um comentário ou dica de post, livro, vídeo etc.

Escrevi recentemente sobre saúde mental pois estava passando por um momento de cansaço. Não cansaço físico mas mental mesmo. E percebi que estava ficando cada vez mais difícil ter vontade de fazer as atividades básicas do dia a dia.

Há algumas semanas coloquei uma série de ações em prática e pude observar a diferença que fez na minha rotina. Por isso, achei que seria um bom momento para escrever sobre esse tema. E, gostaria de deixar um espaço para que mais pessoas escrevam também o que funciona para elas.

A primeira coisa que precisa ficar claro é que não pretendo compartilhar uma fórmula mágica que funciona para todo mundo. A busca por isso só serve para nos deixar cada vez mais frustrados. Ah! Mas funcionou para fulano, por que nao funciona pra mim? Quantas vezes me senti mal com isso… estou escrevendo sobre algo que observei que funcionou para mim, na realidade que estou passando nesse momento.

É importante dizer também que não acordo motivada todos os dias. E que continuo tendo dias em que me sinto desanimada e cansada. E acho que está tudo bem se sentir assim de vez em quando. O importante é saber perceber isso e agir de acordo. Nesses dias eu me permito ir mais devagar. Se eu estiver muito cansada eu descanso e compenso em outro momento.

Para ter uma rotina que funciona, precisamos primeiro nos conhecer. E entender o tipo de incentivo que funciona. Pode ser que, assim como eu, na maior parte da vida tenha esperado que a motivação para alcançar os objetivos ou simplesmente concluir as atividades viesse de fora (boletos chegando, prazo de evento/revista chegando, orientador te cobrando resultados…).

Claro que tudo isso oferece um incentivo mas, se manter a motivação já era um desafio antes de 2020, esse ano pode ter se tornado um desafio ainda maior. A necessidade de continuar ainda que o mundo todo estivesse passando por tantos lutos não é algo trivial.

Precisei entender que isso tudo que citei ali acima, que vem de fora, não deveria ser a minha fonte de motivação ou desânimo. A motivação deveria ser interna.

Depois de muitos momentos de reflexão eu entendi que escrever é extremamente importante para mim. Não só artigos, documentação, relatórios etc. Não estou falando de escrever só coisas relacionadas ao trabalho. E também não estou falando só dos hobbies como escrever aqui para o blog, redes sociais, poesias etc. Mas, desde sempre para passar pelo processo de aprendizado eu sempre precisei escrever as coisas no papel. E entendi que ultimamente com a mudança de rotina devido à pandemia, eu tinha mudado esse hábito.

Passei a trabalhar somente de casa com o isolamento que durou 2 meses e depois, passei a fazer revezamento, indo algumas vezes por semana ao laboratório e outras a ficar em casa. Já se passaram 5 meses nesse formato e tudo indica que continuará assim até o final desse pós-doutorado. Com esse revezamento, eu comecei a ter dificuldade de manter uma rotina que funcionasse pra mim nos dois lugares. Por exemplo, eu uso (também) agenda de papel. E escrevo nessa agenda de papel as principais atividades de cada dia. Com essa mudança de rotina nem sempre eu transportava a agenda comigo. Às vezes deixava uma agenda em casa e outra na mesa do laboratório. Com isso fui vendo pouco a pouco minha organização (e também a motivação) ir embora. Comecei a me sentir improdutiva e com dificuldade de terminar as tarefas.

Só quando entendi que um dos problemas era esse que pude pensar em uma solução. Eu tinha um bloco de post-its que estava inutilizado. Voltei a usar os post-its, e criei o compromisso de carregar sempre a mesma agenda comigo. Ao invés de colar os post-its no lab como costumava fazer, comecei a colar na agenda. Assim tenho um incentivo colorido bem visual e pontual de coisas que preciso fazer a cada dia da semana.

Não lembro quando comecei mas há muitos anos tenho o hábito de escrever as coisas que preciso fazer em uma agenda (durante o doutorado usava um caderno de rascunho pra tudo e funcionava como uma agenda também). Ultimamente percebi que ao não escrever as tarefas eu não as concluo com a mesma eficiência. Eu continuo fazendo o que preciso, mas de forma pouco organizada e pouco produtiva que atrapalha outros setores da minha vida.

Com a falta de organização eu não tinha vontade de fazer as tarefas do trabalho, de ler artigos, fazer as reuniões, escrever, programar o código que precisava etc. E muito menos de cuidar da saúde. Não tenho tempo! Era isso que eu dizia pra mim mesma. Não consigo fazer mais nada, já estou sobrecarregada com todas as tarefas que tenho ao ficar alguns dias da semana em casa. Essa parte realmente é importante comentar também. Como passo mais tempo em casa, tenho que fazer uma série de coisas que não faço quando passo o dia todo no laboratório e almoço no restaurante do hospital. Em casa, tenho que pensar em todas as refeições, preparar e lavar e isso toma mais tempo, é fato. Gera mais sobrecarga mental sim. Não posso esquecer disso na hora que preparo a agenda.

Dito tudo isso, aprendi a não colocar muitas metas grandes por dia na agenda! No máximo uma ação maior que preciso terminar a cada dia. E me permito escrever na agenda em torno de três ações menores por dia. Tudo que fizer além disso considero lucro. (Se para você parece pouco, ajuste para a sua realidade. Estou dizendo o que funciona para mim na minha rotina de trabalho – e acho que li isso em algum lugar, se lembrar adiciono a referência depois). Vai por mim que não é pouco. E penso que é melhor concluir 3 coisas por dia do que nenhuma…

Um exemplo mais prático: se preciso entregar um código ou um resultado até sexta, na sexta tenho essa meta grande de entregar o trabalho todo e, a cada dia que antecede tenho como meta uma parte que organizo de acordo com meu conhecimento do que precisa ser feito. Costumo quebrar ainda essa atividade principal do dia em mini-atividades . Dividir para conquistar funciona bem para mim. Além disso, todas as outras atividades importantes como atualizar a documentação, escrever relatório e artigo vão para a agenda em papel. Tento dividir todas as atividades durante a semana colocando a mais urgente como principal e tentando não passar muito de 3 atividades por dia. A sensação de “tickar” da agenda me dá muita satisfação e sinto que o trabalho está avançando. E essa ação de escrever no papel me ajuda a me organizar melhor mentalmente e focar naquela ação que precisa da minha atenção.

Acho que isso tudo começou há muitos anos quando percebi como me distraio facilmente. Se eu não colocar em foco as coisas que precisam da minha atenção eu me perco totalmente.

Talvez você não precise dessa etapa de colocar no papel. Durante um tempo eu colocava tudo num calendário online com os lembretes das atividades que preciso fazer. Pode ser que um tempinho no domingo ou na segunda de manhã para organizar as tarefas da semana no calendário seja suficiente. E claro, olhar esse calendário todos os dias. A ideia é ter algo visual que consulte com frequência.

Ao passar um tempo sem organizar minhas atividades no calendário/agenda a sensação que eu tinha era que eu não estava fazendo nada (mesmo quando obviamente estava porque não parei de fazer as coisas). Além de ter essa sensação que não estava conseguindo avançar estava perdendo a vontade de começar a fazer as coisas que eu precisava. Finalmente entendendo o que funciona para mim, foi possível sentir essa vontade de novo que eu já estava achando que não voltaria! Ah! Como sou dramática gente… Mas é sério, concluir atividades para mim me faz com que me sinta útil, e, com isso, tenho vontade de continuar fazendo as coisas que preciso.

Obs: no calendário online tenho todas as aulas e reuniões agendadas e não considero reuniões nem aulas como atividades que entram naquela conta das 3 coisas por dia, só para deixar claro. Mas preparar aula e corrigir tarefas contam como atividades do dia porque uso essa estratégia para organizar meus prazos. Não sei se vai funcionar pra sempre assim, pode ser que precise ajustar depois. Mas achei essa reflexão interessante para pensar no que funciona de acordo com a rotina que temos hoje.

Se eu puder fazer um resumo das coisas que me ajudam a me manter motivada, seria:

1 – Acordar fazendo uma mentalização positiva; preciso desse lembrete diário de quem sou e qual meu propósito.

2 – Café ou chá.

3 – Conferir na agenda o que planejei e ajustar de acordo para não me sentir sobrecarregada;

4 – Tickar as atividades concluídas da agenda;

5 – Escolher o tipo de informação que consumo! Tento estar sempre atenta aos perfis que sigo nas redes sociais e o tipo de notícia que consumo. Não pretendo me alienar, mas no início da pandemia foi muito difícil acompanhar todas as notícias diárias e precisei me afastar um pouco para não desanimar demais.


Você sabe o que funciona para >você< se manter motivado?

IES Públicas brasileiras contra a pandemia COVID-19

Vai ficar tudo bem!

Em situações emergenciais como é o caso de uma pandemia, muitas ferramentas que auxiliam nas decisões e na execução de ações para de fato minimizar os danos partem das Instituições de Ensino Superior (IES) Públicas.

Inspirada por algumas iniciativas que tive conhecimento, quis reunir nesse post o máximo de links para as páginas de Instituições de Ensino Superior Públicas brasileiras que estão colaborando de alguma forma para minimizar os efeitos da pandemia COVID-19. Seja através da divulgação de informação correta, do desenvolvimento de equipamentos de proteção, desenvolvimento de aplicativos ou modelos de previsão para auxiliar às tomadas de decisão.

Segue abaixo a lista para não esquecermos da importância do investimento em ensino e pesquisa. Clique nas imagens ou nas siglas das instituições para redirecionamento:

Screen Shot 2020-04-08 at 22.16.57 IF Baiano
ifsudeste IF Sudeste MG
ifceara IFCE
ifpb IFPB
ifrs IFRS
ifsp IFSP
ifto IFTO
Screen Shot 2020-04-08 at 22.04.10 UFF
ufjf UFJF 🖤
ufla UFLA
Screen Shot 2020-04-08 at 22.09.31 UFMG
ufreconcavoba UFRB
Screen Shot 2020-04-08 at 22.10.08 UFRJ
ufsc UFSC
Screen Shot 2020-04-08 at 22.11.09 UNIFEI
unifesp UNIFESP

Esta lista não é exaustiva, se souber de outra iniciativa de UF ou IF que não está aqui me envie que atualizo!

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Ps: A imagem destacada que usei no post é uma foto que eu tirei há alguns dias. Escrevo da Itália nesse momento onde faço pós-doutorado e trabalho de casa há um mês. A mensagem é positiva: “vai ficar tudo bem, eu fico em casa”!

Doutorado Sanduíche nos Estados Unidos (continuação)

Escrevi esse post em 2015 e só estou postando em 2017… achei divertido ler comentar o próprio texto depois de um tempo. Todos os comentários que fiz antes de postar estão destacados como esse. O que não está destacado é o que escrevi lá em 2015…

Em um post anterior citei algumas coisas que aprendi com a experiência do doutorado sanduíche, mais especificamente 7 coisas que aprendi (Link para o post). Gostaria de compartilhar também um pouquinho sobre minha impressão do local que visitei mais especificamente na região sudoeste dos Estados Unidos e o que aprendi por lá.

3 itens relacionados ao local que morei que gostaria de compartilhar

1 – Tomar café no copo grande

O café nos Estados Unidos de forma geral não é muito agradável comparado aos cafés que estamos acostumados no Brasil (minha opinião!). No entanto, finalmente entendi porque eles tomam esse café tão ruim num copo tão grande e posso resumir em: açúcar e creme!

De forma geral não conheci ninguém que tome café americano puro. Mas, sempre cheio de creme (half and half principalmente) e açúcar! E aprendi a tomar o tal mocha latte ou café mocha (depende do lugar): café, calda de chocolate e leite vaporizado. Doce até! Mantém acordado até! Resumindo, vou sentir falta disso na minha cidade no Brasil, pelo menos a saúde agradece a falta desse açúcar todo num copo só! (Mas a calda de chocolate veio na mala sem querer querendo…)

Obs: Essa calda já acabou há muito tempo…

Obs 2: Achei muito pretensioso eu ter escrito que não conheci ninguém que tome café puro… como se eu tivesse conhecido uma amostra suficiente de pessoas. Relevem. ¯ \ _ (ツ) _ / ¯

2 – Inverno fora da zona tropical

Como tive oportunidade de morar por 9 meses nos EUA, presenciei todas as estações do ano e a beleza de cada uma delas.

Mudança de estações
Mudança de estações por Bárbara Quintela

A primavera é super florida, as pessoas plantam flores pra colocar na porta de entrada de casa e, as plantas dos jardins que pareciam que tinham morrido no inverno começam a voltar a vida e a florir.

No verão faz muito calor tanto quanto no Brasil (ou mais!) e fica tudo muito verde! As pessoas ficam na rua até mais tarde já que os dias são mais longos.

O outono já é minha estação do ano preferida por aqui, a diferença é que nos EUA começa a estação dos feriados também no outono, com o Halloween e abóboras pra todo lado! e tudo fica amarelo, laranja e marrom…de um jeito lindo!

As crianças realmente pedem doces no Halloween por lá. Sim, me vesti de gato de Cheshire e fiz um sorrisão de cartolina. Só uma criança adivinhou quem eu era. Óbvio que dei mais doces pra essa criança… hahahaha!

Com o frio intenso e os dias mais curtos, as pessoas ficam meio desanimadas acho que por isso os feriados são tão celebrados lá. Mas a verdade é que o cenário todo coberto de neve é lindo!

Eu achava lindo por que era meu primeiro inverno de verdade. Os americanos só viravam o olho e diziam “First winter”… 🙄

Obs: Clique na imagem e dê um zoom na árvore verde. Depois me conta…

Realmente curti muito todas as estações. Como não temos tanta definição, pelo menos na região que moro no Brasil (Sudeste) me achava dentro de um filme enquanto morei no NM.

3 – Cultura do Novo México

Durante o doutorado sanduíche fiquei alocada em um laboratório de pesquisa no estado do Novo México, um estado não muito conhecido nem pelos próprios americanos muito menos pelo resto do mundo. Corta pra Barbara tendo que explicar pra família/amigos que não estava indo para o México, país e sim Novo México, estado americano.

Até hoje tenho que explicar que nunca fui para o México… espero conhecer um dia!

Deixei esse tópico para o final para poder contar um pouco do que vou levar desse estado incrível. Acho que vale um post só pra ele!

Resumindo o que aprendi sobre esse estado incrível: para começar, a frase oficial do estado é “terra do encantamento” (Land of enchantment) e posso garantir que não é à toa!

white sands
White Sands por Bárbara Quintela

Cânion do Rio Grande e Vilarejo de Taos por Bárbara Quintela

No mesmo estado existe: montanhas com estação de esqui, deserto de areia branca (gypsum), cânions, cavernas impressionantes, museu UFO (Alguém mais assistia Roswell?), Breaking Bad se passa em Albuquerque (NM), vulcão inativo, laboratório do governo que um dia foi secreto e hoje é um dos maiores centros de pesquisa do mundo em diversas áreas, faz divisa com mais três estados (Arizona, Colorado e Texas) tem um monumento “four corners” devido a essa fronteira entre 4 estados, sol praticamente o ano todo,  cultura hispânica muito rica, cultura nativa americana muito presente, as casas de adobe e…

GREEN CHILE (pimenta verde)!

Sério! Green chile do Novo México é algo único e especial desse estado! Todo mundo que experimenta vicia nessa iguaria! Vou sentir falta disso tudo! Principalmente do green chile & cheese burguer! Pizza de pepperoni com Green Chile! Mac’n’cheese com Green Chile…

Ps: Esse post estava escrito há praticamente 2 anos e não sei porque não postei na época! Pensando bem, os últimos 2 anos foram de muitas mudanças para mim e o blog estava completamente de lado, então acho que eu sei sim porque não postei…

E além disso, quem lê posts de blog hoje em dia anyway...

De qualquer forma fica o registro pra quando eu quiser lembrar novamente dessas experiências 🙂

Ps 2: Eu tive oportunidade de voltar ao Novo México esse ano para uma homenagem ao meu orientador de lá. Foi super rápido mas fiz questão de ir. Consegui encontrar alguns amigos que fiz por lá também além de participar de um congresso com os melhores cientistas da minha área. Espero voltar lá sempre que puder!

Para saber mais sobre o Novo México:

Melhor referência de turismo!

Pesquisa Google sobre montanhas do Novo Mexico

El camino real de tierra adentro – Facebook

White Sands National Monument – Facebook

Carlsbad Caverns National ParkFacebook

International UFO Museum RoswellFacebook

Espero que tenham curtido ler sobre um pouco da experiência que tive no Novo México, EUA.

7 Coisas que Aprendi com o Doutorado Sanduíche nos Estados Unidos

Já comentei aqui quando comecei o doutorado sanduíche nos EUA e expliquei como surgiu a oportunidade e o que precisei fazer antes de embarcar. Vale a pena ler se está pensando em passar pela mesma experiência!

Gostaria de deixar registrado também algumas coisas que aprendi com essa experiência que recomendo a todos que tiverem oportunidade! Espero que possa ser um incentivo para quem está pensando em começar e também um momento de boas lembranças para quem passou por algo semelhante!

7 coisas que aprendi com o doutorado sanduíche:

1 – A melhor forma de entender algo é explicando pra alguém

Desde que cheguei ao laboratório assisti a diversas palestras, pelo menos uma por semana. Por lá os pesquisadores e estudantes são incentivados a apresentar seu trabalho com certa frequência. Em todas as palestras percebi a intensa interação entre o grupo e como surgiam novas ideias e críticas importantes ao trabalho.

Todas as vezes em que eu tive que apresentar meu trabalho (3 vezes em 9 meses) eu percebi o quanto ter que falar sobre meu problema e como estou resolvendo me ajudou a entender melhor o que eu estava fazendo e onde poderia chegar.

2 – Pesquisadores conhecidos podem ser mais acessíveis do que parece

Uma das coisas que me impressionou quando cheguei foi a facilidade que encontrei pra conversar com meu mentor. Ele estava sempre com a porta da sala aberta.

Durante minha estadia, o grupo recebeu uma série de pesquisadores visitantes de várias partes do mundo com quem possuem algum tipo de colaboração. Todos apresentaram seus trabalhos e estavam disponíveis para conversar e ajudar.

3 – Colaboração é a palavra-chave

Semelhante ao item anterior percebi que manter uma rede de colaboração é essencial no universo de pesquisa. Acredito que seja verdade para todas as áreas. E entendi que principalmente para alguém que espera continuar pesquisando numa área interdisciplinar é preciso estender a rede de contatos e colaborações.

Várias oportunidades de pesquisa e publicações, tão valorizados na área acadêmica, surgem de colaborações com pesquisadores e institutos diversos. Cada pessoa/grupo tem algo diferente a oferecer e a colaboração torna os trabalhos mais ricos ao permitir diversas formas de se resolver um determinado problema.

4 – Não ter medo de pedir ajuda

Logo que cheguei não tive muito tempo para entender o problema que estaria trabalhando e já fui logo tendo que começar a resolver. Após um mês ainda não tinha nada de concreto e meu mentor lá fora começou a se preocupar. Claro que bateu logo uma insegurança quando comecei a me deparar com possíveis erros de implementação. Mais tarde descobri que não estava cometendo nenhum erro mas havia um problema na definição do modelo que estávamos desenvolvendo.

Bom, só foi possível descobrir qual era o verdadeiro problema quando pedimos ajuda. Um dos pesquisadores visitantes era especialista em implementação de soluções de problemas do tipo que eu precisava resolver e me ajudou imensamente! Pudemos fazer os ajustes necessários para corrigir o real problema. Pedir ajuda pode ser a solução!

5 – Trabalhar é importante e se divertir também

Quando entrei no doutorado resolvi que continuaria fazendo sempre o melhor que pudesse mas, com a condição de ter tempo pros meus hobbies também! E quando comecei o sanduíche constatei que fora do Brasil é mais do que normal e esperado que se tenha tempo livre! As pessoas estão sempre conversando sobre seus hobbies e como foi a caminhada ou a viagem ou o show ou qualquer coisa que tenham feito à noite ou no fim de semana.

Durante o expediente todos são super focados e trabalham bastante buscando sempre a melhor solução para os problemas. Mas deixam o trabalho no local de trabalho! Claro que época de deadline é igual em todo lugar…

6 – Ambiente de trabalho pode fazer diferença

Tive a oportunidade de ter uma mesa em uma sala compartilhada que era meu local preferido no lab por ser em um centro de estudos que agrega estudantes e profissionais de áreas diversas com palestras e eventos frequentes.  Durante o verão principalmente quando o laboratório recebe estudantes de toda parte do mundo e pude fazer novas amizades e possíveis futuras colaborações.

Tive contato com pessoas motivadas que realmente amam o que fazem o que é uma grande inspiração!

Devemos buscar sempre essa motivação e ser essa pessoa que contagia os outros! Momento #FicaADica #SejaAMudançaQueQuerVerNoMundo do texto…

7 – Ter metas claras

Isso vale pra qualquer coisa na vida! É essencial saber onde quer chegar e o que quer alcançar.

No caso do doutorado sanduíche ter metas me ajudou bastante a lidar com a distância da família e dos amigos. Só precisava focar no próximo prazo e seguir em frente.

Quando percebi a próxima meta já era voltar pra casa e defender a tese! Como passou rápido!!!

Extra:

Estando fora pude valorizar as boas práticas do meu programa de pós-graduação no Brazil! Mesmo estando longe dos maiores centros de pesquisa mundiais, o programa sempre investe em colaboração com pesquisadores de outros programas no Brasil e no exterior. Se preocupam em oferecer todos os recursos que sejam necessários às pesquisas realizadas para que os alunos em formação tenham as melhores oportunidades. Como ex-aluna só tenho a agradecer!

Concorda com os pontos? Deixe um comentário! Vou adorar ler sobre outras experiências também!

Espero que esse post tenha sido útil!

Muito obrigada!

Dica Rápida: Incluir ou Remover Páginas de Arquivo PDF

Mais uma dica da série só lembro de postar quando preciso de novo!

Quem já teve que adicionar a folha de assinaturas no arquivo da monografia/dissertação/tese levanta a mão!!! Ou juntar ou separar arquivos PDF por qualquer motivo que seja!

Existem ferramentas que auxiliam esse processo de forma rápida e simples. A que geralmente recorro é o pdftk. Eu uso no Linux e vou colocar um exemplo usando linha de comando que resolve rapidamente o que preciso. Para quem utiliza windows aqui está o link para o instalador.

Para utilizar o pdftk faça download e instale. Para o Linux Ubuntu:

sudo apt-get install pdftk

Feito isso, basta mudar para a pasta onde estão os arquivos e utilizar os comandos do pdftk que precisar. Para o exemplo da folha de assinaturas em que precisamos inserir um arquivo de uma página com a folha de assinaturas chamado “folha.pdf” no arquivo com a tese “tese.pdf” supondo que queira inserir entre as páginas 3 e 4 da tese que contém 100 páginas no total, podemos utilizar:

pdftk A=tese.pdf B=folha.pdf cat A1-3 B1 A4-100 output arquivo_final.pdf

Esse comando monta um arquivo chamado “arquivo_final.pdf” que contem as duas primeiras páginas da tese + a folha de assinaturas + as páginas da tese a partir da quarta até o final. Modifique conforme a necessidade.

Existem outras formas interessantes de manipular arquivos com essa ferramenta. Se houver interesse posso colocar outros exemplos.

Espero que este post tenha sido útil.

Muito obrigada!

Referências:

Página do pdftk (em inglês)

Blog do Edivaldo

Doutorado Sanduíche – Estados Unidos

Consegui!

Seguindo a linha dos posts relacionados a pós-graduação, gostaria de relatar um pouco da minha experiência até o momento (Julho de 2014) com o doutorado sanduíche. Desde o início da pós-graduação – ainda no mestrado – já buscava a possibilidade de passar alguns meses em uma instituição de pesquisa fora do país. Por algum tempo cheguei a pensar que não seria possível, que seria muito difícil, quase impossível encontrar alguma instituição disposta a me receber por um tempo. No entanto, depois da qualificação ficou ainda mais claro para mim o quanto essa experiência acrescentaria e seria praticamente essencial para a validação do meu trabalho. Retomei a busca por uma colaboração com força total!

De forma geral, o doutorado sanduíche surge a partir de contatos do(s) orientador(es) e no meu caso, os contatos não eram da mesma área que estou pesquisando então precisávamos de novos contatos! 🙂 O que dificultou bastante…

Mandamos e-mail para os quatro cantos do mundo e após alguns retornos que não avançaram, quando menos esperávamos, um casal de pesquisadores americanos em visita ao nosso programa de pós-graduação nos apresentou uma possibilidade. Um aluno deles tinha passado alguns meses em um laboratório com um pesquisador influente na área (modelagem computacional de doenças infecciosas), eles fizeram o contato e pronto! Deu-se início a etapa de preparação de documentos para solicitar a bolsa no exterior (Passo a passo do programa de doutorado sanduíche da CAPES).

Passo a passo doutorado sanduíche
Esquema ilustrativo do passo a passo para solicitar bolsa de doutorado sanduíche (CAPES PDSE).

Mas, vai dar tempo?

Como já estava no último ano do doutorado, não poderia passar o ano todo no exterior pois ainda é preciso voltar antes da defesa… Mas determinei que passaria o maior tempo possível, no caso 9 meses para poder voltar para defender a tese dentro do prazo de quatro anos, já que segundo as regras da CAPES quem recebe a bolsa no exterior não pode prorrogar a defesa. Quem está lendo e fez as contas imagina que tive pouco tempo para ter a aprovação e embarcar. Graças a Deus e muito esforço pessoal para manter os prazos, consegui resolver tudo em dois meses. Mas não indico! Foi muito estressante e até o último minuto duvidei que conseguiria! Mas, se tem uma possibilidade semelhante e está se perguntando se vai dar tempo, não hesite! Faça as contas do tempo que demora a aprovação na sua instituição e o tempo para a instituição no exterior te encaminhar o formulário deles (que vai ter que guardar com a sua vida até voltar! E é o único documento que precisa mesmo durante a entrevista para o visto*), etc. Paralelize o máximo de atividades que puder!

Chegada no exterior

A CAPES modificou esse ano (2014) o formato de pagamento das bolsas no exterior e, só fiquei sabendo depois de embarcar. Não, não tinha nada na página deles, eu li todas as páginas e portarias possíveis! Quando saí do país eles tinham depositado a bolsa e os auxílios na minha conta no Brasil. A informação que tinha é que quando chegasse no destino, deveria abrir uma conta para receber as próximas bolsas. Quando cheguei, enviei todos os comprovantes de que tinha chegado e recebi uma mensagem dizendo que a CAPES me enviaria um cartão tipo pré-pago e depositaria nele as próximas bolsas. Fiquei tensa porque seria enviado pro meu endereço no Brasil e minha família teria que encaminhar pro meu novo endereço no exterior. Quando o cartão chegou finalmente, achei muito melhor do que ter que abrir conta! Funciona perfeitamente! Ponto pra CAPES! 🙂

Nessa correria toda para viajar consegui achar uma casa que gostei, perto do laboratório, fácil de pegar ônibus. Tenho ido e/ou voltado a pé quase todos os dias. A saúde agradece já que fast-food é uma refeição bem comum por aqui! rs Recomendo que use ferramentas como o Google Street View sempre que possível para dar uma olhada na vizinhança se for para um laboratório ou para uma Universidade que não ofereça alojamento. Eu busquei anúncios na página do laboratório e indico que busque esse tipo de informação nos serviços para estudante do local que está indo. É mais confiável mas sempre tem o craigslist

Longe de ser férias…

Pra quem pensa que doutorado sanduíche é férias está muuuuito enganado! Trabalho tanto ou mais do que se estivesse na minha instituição. Afinal de contas tenho uma tese pra defender! Não se esqueçam disso pois eu não esqueço. Alguém mais sonha com a tese? Você vai começar a sonhar em outro idioma também, se prepare… Aliás, não tive problemas com o idioma até agora e fui elogiada várias vezes! Ponto pra Grifinória mim!

[Dica para quem ainda está planejando e tem tempo antes de embarcar: estude o idioma falado no país para o qual quer ir! Não tem mistério! Faça as benditas redações e leia livros no outro idioma para ganhar vocabulário! (Leia em português também ler é sempre bom). Mas não, 50 tons não conta, tá? 😉 Para quem é de Juiz de Fora-MG e quer estudar inglês ou espanhol indico sempre o curso Bridge! Professores excelentes e método super completo! Não é merchan e não estou ganhando nada com isso, só acredito demais no trabalho deles e foi lá que estudei e se precisar volto e indico pra todos! Tem filial em outras cidades também (Cataguases – MG, Três Rios e Paraíba do Sul – RJ).]

Bom, estou super satisfeita com o trabalho até o momento! O primeiro mês foi mais lento acho que demorei a ter algum resultado mas contei com ajuda de colegas do grupo de pesquisa e outros pesquisadores visitantes dispostos a colaborar que tornaram o trabalho mais produtivo. Acredito que esse contato com outras pessoas é uma grande vantagem desse tipo de experiência. Dentro de um grupo tendemos a resolver as coisas de uma mesma forma e essa troca de experiência com outros grupos é bastante enriquecedora. Em breve vou compartilhar na página sobre minha pesquisa o que tenho feito durante o sanduíche também.

Bom, não vou me estender muito nesse post e, acredito que resumi beeeeem superficialmente o que está sendo essa experiência até o momento. Se tiver alguma pergunta ou caso queira acrescentar algo por favor deixe comentários abaixo!!! Prometo responder o mais rápido possível! 😀

Ps: Antes de embarcar esses blogs me ajudaram muito:

Escreva Lola Escreva
Fabio Augusto Faria
Welcome to Aggieland

Espero que eu tenha ajudado também!

* Estou falando do visto J-1 para os Estados Unidos. Vale verificar os requisitos para outros países pode ser bem mais fácil dependendo do lugar.

Qualificação de doutorado

Prestes a defender a proposta da tese de doutorado, etapa chamada de qualificação, percebi que existem poucas referências que explicam e sintetizam realmente o que se espera do aluno nesse momento.

Cada programa de doutorado, alguns de mestrado também pedem a qualificação, adota seu formato e disponibiliza essas informações mas, surgem questões como: o que não podemos deixar de falar na apresentação? e o que podemos? tem que apresentar algum resultado prévio? como apresento a pergunta científica? a hipótese? etc.

Buscando responder essas perguntas, encontrei na página do professor Renato Cardoso algumas questões que me ajudaram bastante. Na verdade ele não dá respostas, mas apresenta as perguntas certas. Nesse ponto da vida nós já temos as respostas a essas perguntas e é bom estarmos preparados para o momento da apresentação. Se achar que não tem uma dessas respostas recomendo conversar com o orientador para esclarecer qualquer ponto que não esteja claro.

Acredito que respondendo à essas perguntas na apresentação, a banca poderá realizar as contribuições ao trabalho de forma mais objetiva. Bom, após a minha apresentação deixarei mais dicas aqui.

Transcrevo abaixo o texto original, com as perguntas a serem respondidas, sem modificações:


As questões-chave:

Ao defender sua qualificação de doutorado, você deve ser capaz de responder às seguintes perguntas:

Caracterização do problema

  • Qual é o problema?
  • Por que este problema é relevante?
  • Qual é a relação com outros problemas?

Caracterização da abordagem/solução proposta

  • Qual é a abordagem/solução proposta para resolver o problema?
  • Vantagens desta abordagem sobre outras que resolvem o mesmo problema ou um problema similar.
  • Para quais aplicações a abordagem é adequada? Até que ponto a solução poderá ser generalizada?

Validação da abordagem/solução

  • Como você pretende validar a abordagem/solução proposta?
  • Qual é o grau de certeza/precisão da validação?
  • Qual será a metodologia a ser adotada para a validação?

Plano de Trabalho

  • Qual é o plano de trabalho? Quais são as principais etapas?
  • Quais são os resultados parciais que você pretende obter e quando?
  • Quais ferramentas você precisa para poder desenvolver o trabalho?

A Essência

  • Tente resumir em um parágrafo (ou uma transparência) por que este trabalho vale a pena ser realizado e qual é o principal benefício que o mesmo trará.

Só para manter o bom humor, por favor, na hora da apresentação não faça isso por mais que dê vontade!

Interpretative dance!
Esta manhã eu resolvi jogar fora a versão escrita e comunicar o resumo do meu trabalho através de dança interpretativa.

 

Mais informações:

Página do Professor Renato Cardoso  http://www.cpdee.ufmg.br/~renato/questoeschave.htm (copiei as questões-chave na íntegra!)

Café Docente: http://cafedocente.blogspot.com.br/2011/07/qualificacao-do-doutorado.html

Plantar um livro, ter uma árvore, escrever um filho…

Escrita
Escrita de textos científicos.

Introdução

Já ouvi por aí quem compare escrever uma tese de doutorado a ter um filho. Isso seria o maior tempo de gestação existente (4 anos) já que a salamandra alpina – maior tempo de gestação animal conhecido – leva de 2 a 3 anos dependendo da temperatura [fonte].

Bom, quem já entrou ou pretende entrar para a pós graduação deve saber que dependendo do rigor da instituição, esse processo de escrita pode se tornar realmente bastante difícil. Por isso reuni nesse post alguns links com dicas úteis de organização textual e de formatação para ajudar no processo de desenvolvimento de uma tese.

Dicas para organização textual da tese

Para começar gostaria de indicar duas páginas brasileiras que tratam de assuntos da pós-graduação em geral, não somente do texto, de formas diferentes:

  • Pós-graduando: aborda de forma divertida problemas cotidianos da pós-graduação. Tem alguns posts realmente muito úteis que indico, como os que estão dentro do menu iniciantes. (Incluindo um específico sobre escrita de tese aqui!) Vale a pena ler!
  • Ciência Prática: conheci essa página recentemente e achei muito interessante também pois como o próprio nome diz, a ideia é abordar questões relacionadas a carreira científica de forma bastante prática. Contém várias dicas de organização textual!

(Sem fugir do assunto) Fugindo um pouco do assunto, para descontrair indico a página americana Phd Comics que contém tirinhas como essa:

Como escrever sua tese em 10 minutos.
Como escrever sua tese com 10 minutos por dia 🙂

Como disse antes, essa página é para descontrair mesmo porque todo mundo que está fazendo pós precisa desses momentos! Alguém discorda??? O.o

Bom, mais links para ajudar a organizar sua tese seguem abaixo:

Material da Universidade Harvard:

http://www.eecs.harvard.edu/~htk/thesis.htm

Dicas da Universidade de Columbia:

http://www.ldeo.columbia.edu/~martins/sen_sem/thesis_org.html

Dicas da Universidade de Yale:

http://www.yale.edu/graduateschool/writing/forms/Writing%20Theses%20and%20Dissertations.pdf

Dicas da Universidade South Wales (Tem versões em espanhol, francês e italiano):

http://www.phys.unsw.edu.au/~jw/thesis.html

Dicas para formatação da tese

Para a formatação do texto, procure seguir as normas adotadas pela sua instituição! As instituições de ensino geralmente oferecem um modelo de teses/dissertações que deve ser seguido para ser publicado e arquivado na biblioteca. Procure conversar com seu orientador(a) e se preciso recorra à biblioteca da sua instituição para confirmar o modelo que deve ser adotado.

A tendência é que as instituições brasileiras adotem as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) mas, como existem alguns detalhes que esse orgão não especifica, cada instituição possui a liberdade de escolher o seu.

Os modelos podem estar disponíveis tanto como um documento do MS Word como também como um documento LaTeX. Recomendo fortemente o investimento no aprendizado do LaTeX para quem tem acesso aos modelos nesse formato pois realmente depois que se aprende a utilizar esse ambiente de processamento de texto, todos os outros parecem ultrapassados.

Mais informações sobre LaTeX aqui.

Qualquer dúvida ou sugestão de material por favor deixe um comentário!

Até mais!